09 de julho de 2026
Regional

Governo apóia inclusão do suco de laranja na merenda

Por Renê Gardim (da Tribuna Impressa | Especial para o JC)
| Tempo de leitura: 4 min

Araraquara - O Governo estadual vai negociar com as prefeituras a inclusão do suco de laranja nas merendas escolares e analisa a utilização do produto na alimentação dos presídios, segundo afirmou o Governador Geraldo Alckmin, durante visita à Araraquara (125 quilômetros a Nordeste de Bauru), ontem pela manhã, para participar do Fórum São Paulo - Governo Presente.

O setor citrícola estadual vive hoje a apreensão quanto a próxima safra (2004/05). A queda no consumo norte-americano, a redução nos preços internacionais e a diminuição na demanda dos EUA e Europa podem trazer problemas para o suco de laranja brasileiro.

Para Alckmin, o exemplo de Araraquara, que inclui o suco na merenda escolar, precisa ser copiado pelo restante do Estado.

Mas como a alimentação para os alunos do ensino básico e fundamental é de responsabilidade dos municípios, não há como o Governo do Estado intervir diretamente. Já nas penitenciárias, o governador entende que é viável colocar também a laranja.

O secretário estadual de Agricultura e Abastecimento, Antonio Duarte Nogueira, lembrou que o Governo está, junto com os empresários do setor, empenhado em buscar novos mercados para o suco paulista.

“Hoje, mais da metade do suco de laranja consumido no mundo é produzido no Estado de São Paulo”, lembra. “E temos alguns mercados, como o chinês, que no ano passado dobrou o consumo do produto e que mantém o crescimento.”

Nogueira lembrou que também é preciso provocar o aumento do consumo de laranja no mercado interno. “Pretendemos incentivar esta inclusão com campanhas de divulgação da importância do suco de laranja para a saúde humana.”

Cana

O outro produto regional que está causando preocupação é o açúcar, que vem apresentando quedas acentuadas no preço tanto no mercado interno como no externo.

Para Nogueira, a decisão do governo paulista em reduzir o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do álcool hidratado, de 25% para 12%, no final do ano passado, mostrou que o caminho pode ser a opção para a produção do combustível.

“Com o incentivo, esperávamos queda de arrecadação e, pelo contrário, registramos aumento de 7%”, lembra. “E o produto é uma boa alternativa para as usinas.”

Nogueira lembra que os resultados “mostram que o governo está no caminho certo, melhorando as condições de competitividade do nosso setor produtivo, fazendo do álcool uma nova fronteira, como fizemos com a carne”.

“O álcool é um diferencial como combustível renovável, e há um consenso, dentro do governo que a era dos combustíveis fósseis vai encerrar-se mesmo antes de terminar as reservas de petróleo, mais por uma necessidade de equilíbrio ambiental e redução do efeito estufa.”

Em meados deste mês, foi criada a câmara setorial dos biocombustíveis no Estado, que vai tratar principalmente do biodiesel e do álcool. “São alternativas de podermos gerar emprego e renda, e ao mesmo tempo gerar energia limpa para o nosso País e para futuros mercados internacionais”, explica.

Fatec

O secretário Estadual de Ciência, Tecnologia, Desenvolvimento Econômico e Turismo, João Carlos de Souza Meirelles, deixou claro que não existe intenção do governo estadual de implantar uma Faculdade Tecnológica (Fatec) em Araraquara. A meta é reforçar as cinco escolas técnicas da região e a Fatec instalada em Taquaritinga.

Por outro lado, segundo o governador Geraldo Alckmin, serão instalados novos cursos nas áreas de Engenharia de Alimentos, Engenharia Química e de Materiais, que eram pleiteados pela Universidade Estadual Paulista (Unesp).

O governo também pretende, por meio de parceiras, criar um centro de capacitação profissional na cidade. Meirelles lembra que o Estado trabalha com um novo modelo de educação continuada, que não inclui novas unidades da Fatec a partir de agora.

“O que estamos montando é um novo conceito moderno que chama-se Pólo Tecnológico. Ou seja, um pólo de ensino em que temos um conjunto de escolas técnicas e onde a faculdade não é apenas uma conquista política.”

Para o secretário, a Fatec “tem que ser um degrau crescente no novo modelo de ensino técnico”. “É um modelo continuado. O indivíduo vai para a escola técnica, assim que termina o segundo grau. Ele já está com 17 ou 18 anos e precisa trabalhar, já está noivo. Cursa dois anos de escola técnica, vai trabalhar. Alguns anos depois, já com uma condição financeira melhor, vai fazer uma Fatec.”

Quando Alckmin assumiu o governo do Estado, com a morte do governador Mário Covas, havia nove Faculdades Tecnológicas. Hoje existem 17.