09 de julho de 2026
Bairros

Sem opções, idosos enfrentam o ócio

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

O número de idosos em Bauru aumenta ano a ano, mas os serviços públicos oferecidos a essa grande parcela da população parecem não acompanhar o mesmo ritmo. Principalmente na periferia da cidade, as pessoas com mais de 60 anos carecem de atividades esportivas, socioculturais e de lazer.

O Programa Ponto de Encontro da Terceira Idade, promovido pela Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) com o objetivo de promover a inserção social do idoso, atende em média 250 pessoas. Ou seja, menos de 1% da população de terceira idade em Bauru (que hoje ultrapassa as 30 mil pessoas).

De acordo com pesquisa da Data-ITE, de 1980 para 2000, o número de pessoas com 65 anos ou mais por grupos de 100 jovens passou de 16 para 20. O índice, chamado de coeficiente de senilidade, é maior em Bauru do que na Capital e no País.

A realidade é preocupante. Andando pelos bairros da cidade, o que se vê são velhinhos que se conformam observando das janelas ou calçadas o movimento das ruas ou assistindo a programas televisivos.

Espera-se que o Estatuto do Idoso, que entrou em vigor no dia 1.º de janeiro e visa a melhoria da qualidade de vida das pessoas com mais de 60 anos, ajude a incrementar o atendimento em Bauru.

Inserção social

O Ponto de Encontro da Terceira Idade, da Sebes, é destinado ao atendimento de pessoas com mais de 55 anos. De acordo com a coordenadora do programa, Beatriz Aparecida Strngaci, o objetivo é promover a inserção social do idoso e fazer com que ele ocupe seu tempo livre com atividades educativas, preventivas, de lazer e esportes.

As atividades são realizadas em cinco locais diferentes: na sede da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Bauru e Região, no Centro; no Clube da Vovó, no Jardim Bela Vista; no Centro Comunitário do Jardim Eldorado; na sede da Associação de Moradores da Vila Independência e na Regional Administrativa do Parque São Geraldo.

Beatriz reconhece que o atendimento de apenas 250 idosos ainda é pouco. “Estamos com 30 mil idosos e estamos necessitando de grupos em vários bairros da periferia”, afirma.

A meta é que mais cinco unidades do Ponto de Encontro da Terceira Idade sejam abertas em 2004 para atender regiões como Pousada da Esperança, Tibiriçá, Vila Zillo, Núcleo Nova Esperança, Jardim Ouro Verde, Jardim Europa e Ferradura Mirim, entre outros. “Há vários locais carentes desses grupos”, salienta a coordenadora.

Mesmo o reforço de cinco grupos de atendimento não seria suficiente para atender a demanda total.

A secretária municipal do Bem-Estar Social, Darlene Martin Tendolo, diz que o atendimento será ampliado através de parcerias com entidades conveniadas à Sebes e com o Programa de Atendimento ao Idoso (Promai), da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).

“Com o Promai, vamos montar um grupo de artesanato. Estou vendo como vou viabilizar isso num curto espaço de tempo, ampliando o atendimento para o cidadão idoso, em razão da implantação do estatuto”, explica.

A secretária garante que em pouco tempo haverá mais opções para as pessoas mais velhas. “Esperamos atender bastantes idosos, acertar todos os seus direitos para que eles possam estar respaldados dentro de seus benefícios”, acrescenta Darlene.