A primeira recomendação do médico Hervé Robert para quem quer emagrecer é que o indivíduo se imponha diferentes metas, incluindo cardápios, disciplina, atividade física, relaxamento.
Mas ele adverte que mesmo sendo vários objetivos, todos têm um denominador comum. “Cabe a você agir. O médico está lá apenas para lhe mostrar o caminho, ajudá-lo e apoiar seus esforços para que você alcance por si mesmo o resultado almejado”, alerta.
Segundo ele, isso implica que a pessoa dedique um mínimo de tempo para pesquisar e ler sobre nutrição. Um bom conhecimento dos alimentos e de suas propriedades vai facilitar na hora das compras, na escolha dos pratos, na variação do cardápio e até no planejamento de um piquenique.
“O principal objetivo que você terá que se fixar é, claro, o peso a alcançar. Não se esqueça de que ele deve ser razoável, caso contrário o fracasso é garantido. Discuta abertamente com seu médico (...) Vocês fixarão juntos, então, um objetivo aceitável. Simplificando, pode-se definir como realista uma perda de 10% a15% do peso atual”, sugere.
No livro “Emagrecimento - 100 perguntas e respostas”, ele lembra que uma atmosfera de esperança justificada é mais propícia como empurrão inicial do que a perspectiva desencorajadora de um peso inacessível. “E se você consegue mais do que o previsto, ficará ainda mais satisfeito”, incentiva.
O segundo objetivo recomendado por Robert é manter o novo peso durante o ano todo. Ele defende que não se deve iniciar uma dieta perguntando por quanto tempo se deve fazê-la. “Esse raciocínio subentende que sua tentativa é temporária, que em seguida você vai voltar aos maus hábitos que o levaram a ter um excesso de peso do qual você hoje quer se livrar. Voltar aos maus hábitos alimentares é recaída na certa”, adverte.
Um item destacado pelo médico como essencial no processo de emagrecimento é a paciência. Ele alega que a perda de peso costuma ser dez vezes mais rápida do que a constituição dele. “Sendo assim, um ano será necessário para perder o que você acumulou em dez (...) Só uma obesidade severa, dando lugares a complicações graves, ou a necessidade urgente de uma cirurgia podem justificar um emagrecimento rápido”, pondera.
Malhação
Equilibrar e adequar a alimentação é essencial, mas não basta, conforme o especialista. É preciso rever a atividade física e encontrar um novo equilíbrio. Este é o terceiro objetivo proposto por Robert. Mas ele defende que cada pessoa deve buscar informações precisas sobre as diversas atividades antes de escolher a sua.
“O médico freqüentemente pede à pessoa obesa que faça um esporte, mas ela não recebe mais detalhes (...) Aquele que tem alguns quilos a mais pode começar o ‘jogging’, mas tal sugestão não é realista se for dada a um homem que pesa 130 quilos e resfolega ao menor esforço”, exemplifica.
O ideal é que a pessoa opte por algo que goste de fazer, nem que tenha que experimentar e trocar de atividades dezenas de vezes. Como a alimentação, a atividade física deve tornar-se um hábito por toda a vida. Usada como ferramenta temporária, ela é tão ineficaz quanto as dietas da moda.
A manutenção, no entanto, favorece a redução da massa gorda, pois o organismo usa a gordura acumulada como combustível aos exercícios. A pessoa tem um ganho muscular adequado, o que também facilita a estabilização do peso. Sem contar que a atividade física regula todo o metabolismo, com controle da pressão arterial, queda nos níveis de glicemia e colesterol do sangue, entre tantos outros benefícios.
“Todas essas medidas podem parecer muito rígidas. Contudo, emagrecer não obriga a viver como um fanático apegado à balança de cozinha ou à tabela de calorias, nem a entediar-se comendo pratos sem graça e sem sabor ou preparando sua comida à parte”, salienta.
“A idéia de que emagrecer exige enormes sacrifícios é muito forte. Mas você pode chegar lá sem para isso privar-se da convivência e da gastronomia. Grandes ‘chefs’ nos provam todo dia que dietética e gastronomia são perfeitamente compatíveis. Além disso, os brasileiros cultivam o prazer das refeições”, completa.