08 de julho de 2026
Saúde

Brasil contra hanseníase e tuberculose

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

O Ministério da Saúde inicia amanhã, em Brasília, uma oficina de trabalho que tem como objetivo a reformulação dos Programas Nacionais de Combate à Hanseníase e à Tuberculose. Estatísticas atuais mostram que o País registra cerca de 40 mil casos novos de hanseníase e 80 mil de tuberculose por ano. Apesar de ter tratamento já há várias décadas, as duas doenças ainda matam.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo menos 1,5 mil pessoas morrem por hora no mundo por causa de doenças infecciosas tratáveis. A maioria delas é transmitida pelas vias respiratórias e manifesta-se com maior freqüência em áreas subdesenvolvidas, onde as condições de vida e higiene são mais precárias.

A hanseníase, por exemplo, está erradicada na maioria dos países. No entanto, ela ainda é considerada problema de saúde pública em 12 Nações. Pois o Brasil ocupa o vergonhoso segundo lugar em incidência da doença, só perdendo para a Índia.

Para tentar reverter a situação, uma convenção promovida pela OMS em 1999 instituiu a Aliança Global para a Eliminação da Hanseníase. Autoridades dos 12 países (Angola, Brasil, Congo, Guiné, Índia, Indonésia, Madagascar, Moçambique, Myanmar, Nepal, Nigéria e República Centro-Africana) firmaram um compromisso de erradicar a patologia até o ano 2005. Isso significa reduzir a incidência para um caso em cada 10 mil habitantes.

Hoje, o Brasil apresenta uma média de quatro casos para cada 10 mil habitantes, mas há regiões endêmicas. Segundo o diretor da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), Expedito Luna, o Estado do Mato Grosso registra cerca de 20 casos por 10 mil habitantes.

Em todo o País, estima-se que a cada 12 minutos um brasileiro descobre ser portador da doença - fato desastroso quando se considera que o tratamento existe há mais de 40 anos e que, quando iniciado, interrompe a cadeia de transmissão da bactéria.

A hanseníase é uma doença crônica e contagiosa causada pela “Mycobacterium leprae”. Os primeiros sinais são manchas brancas na pele, que podem aparecer em qualquer parte do corpo. Elas não coçam, não dóem e são insensíveis à dor e ao calor.

Outra situação preocupante para a saúde pública nacional é a tuberculose. Segundo a Agência Saúde, o governo atribui o aumento do número de casos no País principalmente ao crescimento populacional nas periferias das grandes cidades, onde concentra-se a maioria dos casos.

Outro ponto que agrava a situação é a associação da tuberculose com a aids. “Só no Brasil, 25% dos portadores do vírus HIV contraem a doença por apresentarem baixa imunidade”, informa a agência.

Causada pelo bacilo de Koch (Mycobacterium tuberculosis), a tuberculose pode ser facilmente transmitida quando um doente espirra ou tosse perto de alguém. Uma falha no sistema imunológico é suficiente para que o bacilo se instale nos pulmões (90% dos casos) ou outros órgãos e desencadeie a infecção.

Principais ações

Para diminuir esses números e aumentar o percentual de cura destas doenças, o Ministério da Saúde tem ampliado seus investimentos no diagnóstico precoce e em tratamentos adequados. As principais frentes de trabalho para o diagnóstico são as campanhas publicitárias voltadas à conscientização social e a capacitação de profissionais para a identificação de sinais e sintomas.

Paralelamente, todas as unidades básicas de saúde ligadas ao Sistema Único de Saúde (SUS) oferecem gratuitamente os remédios usados no combate à hanseníase e à tuberculose. Ambos os tratamentos são feitos com uma combinação de drogas quimioterápicas e devem ser seguidos à risca por pelo menos seis meses, sem interrupções.

Mas como os pacientes observam melhora em poucos dias, o índice de abandono é muito alto e isso torna o bacilo resistente aos remédios. Por isso, o ministério também criou o Tratamento Diretamente Observado para a Tuberculose (DOT). Os doentes cadastrados são monitorados regulamente por agentes de saúde. Alguns são visitados diariamente e têm que engolir os medicamentos na presença dos agentes.

O diretor da SVS, afirma, por meio da Agência Saúde, que o País deve reduzir a incidência da hanseníase para um caso em cada 10 mil habitantes ainda este ano.

Já em relação à tuberculose, ele considera que será mais difícil obter um impacto imediato. Segundo ele, a meta é curar pelo menos 80% dos pacientes atingidos para quebrar a cadeia de transmissão. Desta forma, o Brasil conseguiria reduzir a incidência da doença, mas com resultados a longo prazo.

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Reformulação

Autoridades de saúde das esferas federal, estaduais e municipais e representantes da sociedade civil estarão reunidos nesta e na próxima semana para avaliar as ações atuais de combate à hanseníase e à tuberculose no País e para discutir novas diretrizes.

De acordo com o diretor da Secretaria de Vigilância Sanitária (SVS) do Ministério da Saúde, Expedito Luna, os novos Programas Nacionais de Combate às doenças prevêem a redefinição da lista dos municípios prioritários - locais onde a ocorrência dessas infecções é mais relevante.

Segundo ele, as novas indicações epidemiológicas apontam diversos municípios que estavam fora da lista anterior, mas que apresentaram altos índices de casos novos.

Além da reformulação, o governo também prevê a capacitação de equipes de saúde para acompanhamento dos pacientes, maior investimento na realização de exames que permitam a detecção precoce das doenças e ampliação do programa de tratamento monitorado.