O presidente Lula, depois de mexer e remexer na sua panela do angu ministerial com sarapatel, buchada de bode e lágrimas de crocodilo, foi às Índias. Até parece os tempos de Cabral, mas deixa para trás um rastro de pepinos de todo lado para o vice resolver.
Lula disse aos jornalistas que não sabia que era tão difícil ser presidente, depois de serem oposição por mais de 20 anos como estilingue. Agora são vidraças, ou então experimentam o próprio veneno que destilaram no outro, o tal imperador FHC. Lula decola para a Índia, como já não tem mais o Fórum Social Mundial, que acabou, como sempre, em nada, e sem nenhuma solução a não ser o protesto contra a invasão do Iraque e o pedido de libertação do Tibete. Tudo volta ao normal por aqui e por lá, a fome e a miséria dos menos favorecidos pela sorte e pelo destino. Os pepinos do grosso e do fino ficam para o vice José Alencar, para resolver os escândalos dos transplantes, falta de remédios nos hospitais do câncer, a demarcação das reservas indígenas que foram transformadas em fazendas de arroz, hoje um ativo e amanhã um passivo ambiental incalculável, estatuto dos idosos sem respeito, estatuto da criança e do adolescente sem cumprimento pelos governantes, a não ser as promessas de construção de novos reformatórios ao invés de escolas e cursos profissionalizantes.
O pior mesmo foi a demissão do ministro Cristovão Buarque, por telefone, que estava em Portugal explicando o inexplicável que agora a mando do FMI as universidades federais terão que cobrar dos que estudam nelas e tem mais poder aquisitivo. Para terminar, foi também a Genebra lançar a CPMF mundial, que aqui de provisória virou definitiva e que seria de 0,08 em 2004, ficou nos 0,38 cada movimentada na conta corrente junto aos bancos.
Bom retorno, presidente, nós continuamos a pagar a conta e o povo continua triste sem emprego, sem teto, sem escolas sem saúde e com fome. Com tristeza.
José Pedro Naisser - Humanista - Email - jpnaisser@hotmail.com