08 de julho de 2026
Regional

Unesp testa anticoncepcional adesivo

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 4 min

Botucatu – O Ambulatório de Planejamento Familiar da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu (100 quilômetros a Sudeste de Bauru) começa a selecionar, a partir de hoje, um grupo de 20 voluntárias para participar de um estudo sobre o uso e a aceitação de um novo método contraceptivo hormonal transdérmico, por meio de adesivos.

Esse será o segundo grupo de mulheres selecionadas para a pesquisa em Botucatu, que teve início em março de 2003, sob a coordenação do professor adjunto e livre-docente de ginecologia da faculdade, Rogério Dias.

Segundo ele, o estudo, que deve ser finalizado ainda este ano, está verificando o nível de aceitação, adesão e praticidade do medicamento, além dos possíveis efeitos colaterais provocados nas mulheres brasileiras. “O produto já está no mercado internacional e a eficácia está comprovada, mas nós queremos verificar o nível de aceitação, tolerância e a praticidade que a paciente brasileira vai encontrar com o método”, explica.

Segundo ele, o primeiro grupo submetido à pesquisa em Botucatu, composto por 30 voluntárias, apresentou resultados bastante satisfatórios. “Das 30 mulheres, apenas uma desistiu e apresentou efeitos colaterais, como sangramento”, afirma. “De uma maneira geral, todas reagiram bem”, completa o professor.

A mesma pesquisa já foi realizada nos Estados Unidos, Austrália e países europeus. Dias afirma que o medicamento apresenta eficácia de 99,4%, o que representa a mesma margem de segurança da pílula anticoncepcional tradicional.

O grande diferencial, defende o professor, é a praticidade do contraceptivo e menor incidência dos efeitos colaterais mais recorrentes no uso da pílula, como náusea, vômitos, dores na mama e manchas na pele. “É uma das mais novas e revolucionárias invenções no campo da contracepção”, afirma.

Esse é o primeiro estudo sobre o medicamento realizado no Brasil. A Unesp está entre os 20 centros de referência em Ginecologia e Planejamento Familiar do País escolhidos em 2003 para coordenar a pesquisa, patrocinada por uma empresa farmacêutica. Ao todo, cerca de 500 voluntárias de vários Estados já foram selecionadas pelo programa.

Em Botucatu, o estudo também conta com a participação dos ginecologistas co-pesquisadores Jorge Nahás e Eliana Petri Nahás.

Pré-requisitos

Para participar do estudo, as voluntárias devem ter de 21 a 45 anos e vida sexual ativa. Além disso, não podem ter utilizado o adesivo ou qualquer tipo de anticoncepcional injetável nos últimos meses.

As selecionadas vão usar o contraceptivo transdérmico, de uso semanal, durante seis meses. A equipe de estudo realizará o acompanhamento clínico e laboratorial das pacientes, que serão submetidas a uma série de exames. A participação na pesquisa não é remunerada. Além dos adesivos, transporte e alimentação serão fornecidos nos dias de consulta para as voluntárias de outras cidades.

Segundo o professor, se durante o estudo ocorrer algum imprevisto, como a falha do método contraceptivo, a empresa patrocinadora da pesquisa é responsável por garantir a cobertura das necessidades ou prejuízos sofridos pela voluntária.

“Ela (empresa) dará toda a assistência a paciente”, afirma. “E, no caso de uma gravidez, se responsabiliza pelo acompanhamento e pelos custos médicos”, completa.

Entretanto, Dias ressalta que o índice de falha é o mesmo dos mais modernos métodos contraceptivos.

Antes de participar do estudo, a voluntária assina um termo de consentimento, onde todos os detalhes do procedimento são esclarecidos.

• Serviço

As interessadas em participar da pesquisa devem procurar nesta semana o Ambulatório de Planejamento Familiar da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu. Informações pelo telefone (14) 3811-6227.

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Efeitos colaterais

De acordo com o professor da Unesp de Botucatu, Rogério Dias, ao contrário da pílula anticoncepcional, o adesivo contraceptivo transdérmico, fixado sobre a pele, libera os hormônios que impedem a ovulação direto na corrente sangüínea, poupando o fígado e o estômago de eventuais efeitos colaterais causados pelos hormônios.

“A pílula anticoncepcional precisa ser absorvida pelo estômago e passar para o fígado para ser metabolizada e depois lançada na corrente sangüínea. E essa passagem pelo fígado é que ocasiona esses efeitos colaterais”, afirma. “Além disso, o hormônio do adesivo é de melhor qualidade.”

O tratamento consiste na utilização de três adesivos por mês sobre a pele, um a cada semana.

Nos Estados Unidos, o medicamento foi lançado no mercado em 2002 e, no Brasil, no primeiro semestre do ano passado.