09 de julho de 2026
Bairros

Dirigente de Ensino pede demissão

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

A professora e pedagoga Marilene Silva Guerrero pediu exoneração do cargo de dirigente de Ensino de Bauru, ontem. Alegando que não tinha mais condições de continuar no cargo por motivos pessoais e alheios à sua vontade, ela deixou transparecer incompatibilidade com a linha administrativa e política da cúpula da Secretaria do Estado da Educação. “Eu sou intempestiva e muito briguenta quando quero as coisas e acho que incomodei um pouco”, diz.

Ela admite que havia sido informada que a direção da Secretaria de Educação poderia vir a pedir sua demissão e decidiu antecipar-se. “Volto para minha escola, a Antônio Ferreira de Menezes, onde sou diretora, mas já estou solicitando aposentadoria e vou me candidatar a vereadora”, avisa Guerrero, que é filiada ao PSDB.

Sem citar nomes, ela diz que enfrentou muita dificuldade de entrosamento com algumas pessoas do quadro da Secretaria de Educação, mas ressalta que sempre teve ótimo relacionamento com os funcionários da Diretoria de Ensino.

Guerrero assumiu a direção da Diretoria de Ensino de Bauru, responsável por escolas estaduais de Bauru e mais 14 municípios, em agosto do ano passado. Ela sucedeu Jair Sanches Vieira, que deixou o cargo de dirigente de Ensino para ser supervisor pedagógico da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem).

Já para Duílio Duka de Souza, coordenador da Subsede Bauru da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Marilene Guerrero foi forçada a pedir demissão. “A gente sabe como se dá esse processo: ela entrou com o pescoço e o governo com a corda ou com a guilhotina. Nós não podemos aceitar esse tipo de coisa. Mas é claro, que até por uma questão de cuidado, ela não sairá por aí denunciando, falando sobre o ocorrido”, opina.

Sem entrar em detalhes, Guerrero diz que vai estudar melhor a possibilidade de tornar público outros motivos que a levaram a pedir exoneração. Ontem, em reunião com funcionários da Diretoria de Ensino, quando comunicou sua demissão, ela relatou que enfrentou problemas herdados de gestões anteriores, mas elogiou o trabalho de Edinéa Sita Cucci, que antecedeu Vieira.

Despedida

Duka, que convocou outros professores para participar da reunião de despedida, levou sua solidariedade a Guerrero. Já a Associação dos Professores da Rede Oficial de Ensino (Apeoesp) prefere não envolver-se na troca de comando da rede estadual de ensino em Bauru. “Sabemos apenas de rumores, não sabemos o que realmente aconteceu e justamente por isso não participamos de protesto. Mas somos a favor da apuração dos fatos”, diz André Luiz Fassone, conselheiro estadual do sindicato.

Para Maria José de Oliveira Faustini, presidente do Sindicato dos Especialistas da Educação do Magistério (Udemo), Guerrero foi forçada a pedir demissão. “Ela levantou o descaso que vinha ocorrendo na educação, o que estava errado, mas parece que não querem consertar. E restou a ela a opção de pedir demissão para não ser exonerada”, diz.

A assessoria de imprensa da Secretaria de Educação informa que desconhece que Guerrero tenha deixado o cargo em função de dificuldades políticas ou que ela teria sido forçada a pedir exoneração. A assessoria esclarece que a escolha do novo dirigente deve ser feita na próxima semana, através de seleção com base em entrevista e currículo.

Enquanto a Coordenadoria do Ensino do Interior não define quem será o novo dirigente de ensino de Bauru, o cargo será ocupado provisoriamente por um funcionário de carreira do órgão, conforme a escala de substituição provisória.