10 de julho de 2026
Geral

Ex-secretária de Educação de Agudos assume Febem-Bauru

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

A professora aposentada pela rede estadual e ex-secretária municipal de Educação de Agudos, Celi Aparecida Perpétuo, 54 anos, assumirá a direção da unidade de Bauru da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem). Ela, que deve tomar posse no cargo na segunda-feira, será a quarta diretora da unidade que começou a funcionar em junho de 2002 e já registrou várias fugas, rebeliões e motins.

O último diretor da unidade de Bauru foi o psicólogo Paulo Orti, que assumiu o cargo no final de outubro de 2003 e foi demitido no mês passado, antes da troca da presidência da Febem do Estado de São Paulo. O nome de Perpétuo foi divulgado à imprensa ontem por Breno Machado, diretor técnico da Febem.

O JC não conseguiu localizar Celi Perpétuo para comentar as suas propostas frente à instituição. Machado afirma que ela tem vasta experiência em gestão e educação, duas áreas que, segundo ele, a Febem precisa muito. “Ela foi diretora de escola pública em Agudos, atuou na municipalização do ensino e já deu aulas para internos. Portanto tem uma bagagem muito grande em gestão e pedagogia”, diz.

O diretor técnico da Febem admite que houve falha na escolha do diretor da última gestão. “Pegamos uma pessoa que estava há pouco tempo na Febem e colocamos na função de diretor sem dar o suporte necessário. Mas agora tem tudo para dar certo: uma infra-estrutura boa, apoio da comunidade, adolescentes com bom perfil e uma pessoa na direção com grande habilidade de gestão para envolver e motivar os funcionários. Nós não estávamos conseguindo movimentar o corpo funcional para aproveitar essas coisas positivas”, afirma.

Por duas semanas, Perpétuo acompanhou o trabalho de diretores das unidades de Lins e Sorocaba, consideradas pela presidência da Febem as melhores do Estado. “Ela passou de três a quatro dias junto à direção destas unidades para entender como funciona a Febem, a rotina, quais os desafios e as funções de todas as equipes. Acreditamos que é o azeite que faltava na engrenagem”, opina.

A princípio, segundo Machado, a unidade de Bauru não passará por mudanças em outras áreas. “A gestão da unidade é da nova diretora, que vai definir mudanças se achar que precisa”, diz. De acordo com ele, a nova diretora, que é filiada ao PSDB, foi escolhida por seu perfil, não pelo partido político. “Entre as pessoas sondadas - e foram mais de duas - é a que achamos que tem o perfil mais adequado para as necessidades da unidade de Bauru”, completa.

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Ocorrências

A Febem de Bauru, localizada nas proximidades do Núcleo Geisel, foi inaugurada em fevereiro de 2002 e começou a receber os adolescentes três meses depois. Sua proposta inicial era de ser uma unidade-modelo, com atividades multidisplicinares, equipe educativa e ausência de violência.

Porém, já foram registradas fugas em massa, rebeliões, motins e tumultos. No final do ano passado, em três fugas, 46 menores escaparam da instituição: 11 no último dia 10 de dezembro, 19 no dia 21 de outubro e 16 no dia 1 do mesmo mês.

Tida como um renovado modelo de ressocialização de jovens infratores e segura em relação à comunidade à sua volta, a Febem de Bauru acumula também rebeliões, inclusive com funcionários feitos reféns. No final do ano passado, internos destruíram a enfermaria em um motim que só acabou com a intervenção da Polícia Militar.