A Fundação Estadual para o Remédio Popular (Furp), órgão do governo do Estado de São Paulo, comunicou ontem que desistiu de instalar uma unidade para fabricação de saneantes, anti-sépticos e cosméticos em Bauru. O principal motivo alegado pelo superintendente da instituição, médico sanitarista Edson Massamori Nakazone, foi a inviabilidade econômica do projeto, que iria gerar 21 empregos diretos.
Os entendimentos para a criação da unidade da Furp em Bauru começaram há cerca de dois anos, quando a Fundação para o Estudo e Tratamento das Deformidades Craniofaciais (Funcraf) ofereceu um prédio de sua propriedade, localizado no Distrito Industrial 2, para que a fábrica fosse instalada. No dia 6 de fevereiro do ano passado, as duas partes assinaram um protocolo de intenções.
Segundo a assessoria de imprensa da Furp, o órgão iniciou um levantamento econômico-financeiro para projetar a lucratividade da fábrica em Bauru e os resultados não foram satisfatórios.
A simulação previa a fabricação de 12,5 mil frascos diários de um litro do saneante hipoclorito de sódio 1%, em um turno de oito horas, mas chegou-se à conclusão que, para se tornar viável, a unidade precisaria produzir em maior escala.
Nesse caso, porém, a fundação teria dificuldades para encontrar compradores, já que só pode comercializar produtos para instituições públicas ou filantrópicas, que muitas vezes utilizam serviços de limpeza terceirizados.
Outro fator apontado no estudo, ainda segundo a assessoria de imprensa da Furp, é o custo do saneante que seria fabricado em Bauru. Na época do levantamento, ele teve preço indicativo estimado em R$ 2,06. Para adquirir o mesmo produto, a Irmandade Santa Casa de Misericórdia de São Paulo pagava R$ 0,67 a menos.
A direção da Funcraf informou, através da assessoria de imprensa, que ainda não foi informada oficialmente sobre o cancelamento do projeto e, por isso, preferiu não se manifestar sobre o assunto.
A reportagem também tentou localizar o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), que no ano passado fez o anúncio da instalação da Furp em Bauru, mas ele não foi localizado para comentar a mudança de planos da fundação.
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Investimentos
Segundo a assessoria de imprensa da Fundação Estadual para o Remédio Popular (Furp), o estudo de impacto econômico-financeiro não foi o único fator que levou a fundação a desistir do projeto em Bauru. Os investimentos que estão sendo feitos para ampliar a unidade de Guarulhos e construir uma segunda fábrica em Américo Brasiliense, orçada em R$ 115 milhões, também pesaram na decisão.
Na última semana, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) assinou o edital de licitação das obras de Américo Brasiliense, na região de Araraquara. A primeira parte da unidade deve entrar em funcionamento no início do próximo ano, gerando 300 empregos diretos.
No ano passado, a Furp registrou um faturamento recorde de R$ 193,8 milhões, 28% a mais do que em 2002. Criada em 1967, a partir de uma iniciativa dos professores e alunos da Universidade de São Paulo (USP), a fundação produz, atualmente, 63 medicamentos para uso em unidades básicas de saúde, além de 13 itens destinados a programas do governo federal.