09 de julho de 2026
Política

Nilson arma novo time na Câmara

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

O prefeito Nilson Costa (PTB) iniciou 2004 - último ano de seu governo - disposto a não permitir que seu mandato e sua administração corram riscos na Câmara Municipal. A inabilidade política e a relação conturbada que teve com os vereadores no ano passado é uma página virada de seu currículo de homem público, garantem assessores mais próximos. Mais flexível, Nilson já conta com o apoio de dez parlamentares no plenário do Poder Legislativo.

Se precisar, pode articular o voto de pelo menos mais três. A sorte começou a bater na porta do gabinete de Nilson em novembro passado, com a reintegração do vereador José Humberto Santana (PTB), novo integrante da bancada da situação. O time foi reforçado com Osvaldo Paquito (PPS), que também retornou ao plenário.

Com isso, os oito vereadores que já compunham a bancada da situação - Edmundo Albuquerque (PPS), Paulo Agustinho (PPS), Zito Garcia (PPS), Milton Dota Jr. (PTB), Pastor Luiz (PTB), Majô Jandreice (PC do B), Renato Purini (PMDB) e Rodrigo Agostinho (PMDB) -, partem para o ataque na busca de novos aliados.

Inclui-se na tática adotada o aniquilamento dos oposicionistas sistemáticos. Na sessão legislativa de anteontem, a oposição sentiu o rolo compressor dos nilsistas, que já articulam a reformulação da Comissão de Justiça, Legislação e Redação - a principal da Câmara -, hoje dominada por vereadores desafetos do Palácio das Cerejeiras, dentre os quais José Clemente Rezende (PDT) e Toninho Garmes (PSDB).

Além da dezena de vereadores com voto garantido, Nilson articula uma reaproximação com José Walter Lelo Rodrigues (PFL) e Paulo Eduardo Martins Neto (PFL), ambos filiados ao partido do vice-prefeito Dudu Ranieri (PFL).

A tática visa, ainda, atrair para o grupo os parlamentares do PP - Paulo Madureira, José Eduardo Ávila e o instável Leandro dos Santos Martins. A conta virtual já atinge o expressivo número de 15 vereadores. Considerados pelo Palácio das Cerejeiras abertos à conversações, também figuram na lista Faria Neto (PDT) e José Carlos Batata (PT).

Oposicionistas irredutíveis, sem chances de recuarem, João Parreira (PSDB), Toninho Garmes, José Clemente Rezende e Luiz Carlos Valle (PSB) estão descartados de qualquer tipo de contato.

Leva-se em consideração, porém, a possibilidade do time perder um integrante por determinação do Tribunal de Justiça (TJ) do Estado. Paquito retornou ao Poder Legislativo em situação provisória, cujo mérito será decidido nos próximos 30 dias.

No último final de semana, os dez vereadores situacionistas - grupo que já ganhou o apelido de “última hora” pelo fato de ter sido concretizado no último ano de governo - se reuniu para traçar as estratégias de atuação que serão adotadas neste primeiro semestre do ano.

Resposta política

Nilson prefere não tornar público as articulações de bastidores que seu time faz para atrair novos aliados, com vistas a reforçar a sustentação política de seu governo na Câmara. Prefere uma avaliação técnica.

“O que temos enviado à Câmara são projetos de alto interesse público. Tenho notado, com entusiasmo, que tem se desenhado uma boa acolhida a esses projetos de lei. Isso significa, claramente, que a maioria da Casa está se inclinando pela aprovação desses projetos”, desconversa.

O prefeito, no entanto, demonstra ansiedade na nova relação que pretende empreender com os vereadores.

“Esse é um ano de eleições. Com certeza, vão aparecer muitos astros sob os holofotes. Portanto, aqueles que cultuam a oposição pela oposição vão querer aparecer mais. Mas quero dizer que, além desses dez vereadores (da bancada da situação), temos outros representantes do povo que estão abertos a votar a favor das coisas boas do município”, rende-se.

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Marsola defende costura do grupo para outubro

O chefe de Gabinete da Prefeitura, Antonio Sérgio Marsola, garante que o novo time nilsista formado na Câmara Municipal não visa uma atuação apenas momentânea e pontual para garantir a sustentação política do governo na Casa.

“Essa formatação político-partidária tem tudo a ver com as eleições municipais de outubro”, conta, sem constrangimentos. Os dez vereadores que hoje defendem a administração no Poder Legislativo estão agrupados no PPS, PTB, PMDB e PC do B.

“O prefeito Nilson Costa busca compor um grupo para disputar as eleições. O PPS, o PTB e o PC do B já estão acordados. Esperamos contar com a permanência do PMDB e com outros partidos que queiram somar conosco”, diz.

Ao contrário da inércia política que ficou famosa no passado, o Palácio das Cerejeiras foi ágil ao aproveitar o recesso parlamentar da Câmara para aglutinar o grupo nilsista.

“Durante o recesso, tivemos várias reuniões com vários vereadores. Conversamos sobre os projetos do Poder Executivo, sobre as eleições. Há intenção de permanecermos juntos para disputar a eleição”, reforça o chefe de Gabinete.