05 de abril de 2026
Tribuna do Leitor

Triângulos roxos


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Estive visitando a “Exposição Histórica Triângulos Roxos”, montada no Shopping, promovida pela igreja Testemunhas de Jeová e que segundo os registros já foi visitada por mais de um milhão de pessoas, considerando as cidades por onde passou. Diga-se de passagem, uma exposição de organização perfeita mesmo tratando de assuntos tão horrendos, destacando-se os monitores esclarecidos que preparavam os visitantes logo à entrada, dando acompanhamento por todo o itinerário na leitura e visualização dos painéis, culminando com a apresentação de um vídeo com duração de vinte e oito minutos. Embora o assunto já me fosse conhecido como também o é dos leitores, pois trata dos horrores do nazismo cometidos nos campos de concentração de trabalho forçado e de extermínio, nessa exposição segue-se uma ordem cronológica que se inicia com os problemas sociais decorrentes da primeira grande guerra mundial de 1914-1918 na Alemanha, o surgimento, a ascensão do nazismo, e o seu fim com a vitória dos aliados na segunda guerra mundial em 1945. Essa cronologia temporal e didática nos faz compreender perfeitamente esse período de 27 anos, de triste lembrança para a humanidade. A referida exposição enfoca a perseguição nazista aos judeus, poloneses e aos próprios alemães fiéis da referida igreja que se negavam a renunciar à convicção religiosa pela expressão “heil Hitler” que significava “a salvação vem de Hitler”. Triângulo roxo era uma marca pregada no uniforme dos religiosos para diferenciá-los dos demais, os quais poderiam ser soltos com seus direitos reparados tão logo assinassem termo de negação à fé que professavam. Se as informações apresentadas foram importantes para complementação do nosso conhecimento, em contrapartida, as centenas de fotos isoladas ou em conjunto, de homens, mulheres, crianças e famílias que ficarão para a posteridade, trazem-nos emoções de piedade e nostalgia. Em muitas identificamo-nos com as pessoas e famílias como é o caso da família Kusserow, desde o casamento de Frans e Hilda com o nascimento de uma prole constituída de onze filhos, sendo seis homens e cinco mulheres que aparecem em fotos bucólicas, alegres como as de nossas famílias. Condenados a sessenta e cinco anos de prisão por se negarem a renegar a fé, separados, após cumprirem uma grande parte da pena, foram libertados com a vitória dos aliados. Exposições como esta dos “Triângulos roxos” e outras similares que vêm acontecendo e que por certo acontecerão em todo o mundo, são muito importantes para nossa conscientização e reflexão pois encerram uma lição e mensagem muito grandes e profundas e que não têm sido aprendidas pelo homem. Alertam sobre o perigo do fanatismo, tanto religioso, político, econômico ou tecnológico a que o homem pode estar sujeito, que pode vir nunca se sabe de onde e nem de que modo, muitas vezes travestido de bens e virtudes. Tenho certeza de que aqueles que visitaram-na concordarão em relação ao perigo que o fanatismo representa. Envio os meus sinceros cumprimentos aos membros da igreja Testemunhas de Jeová almejando que prossigam nessa missão. E no final do roteiro da exposição existe um painel com a afirmação de um grande conquistador, o corso Napoleão Bonaparte que, após tantas vitórias e conquistas, em seu exílio chegou à sábia conclusão deixada para os homens e posteridade, “no mundo há duas forças: a espada e o espírito, mas no fim vence o espírito”.

Joaquim Eliseo Mendes - professor