09 de julho de 2026
Geral

Faculdades tentam atrair graduados

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 4 min

A possibilidade de cursar o ensino superior sem a necessidade de passar pelo processo seletivo é o sonho de qualquer vestibulando. O que muitos não sabem é que uma lei federal garante esse direito às pessoas que já possuem diploma de graduação, desde que sejam oferecidas a elas vagas que não foram preenchidas.

“Essa é a única alternativa de acesso a curso superior sem prestar vestibular”, afirma a secretária geral da Universidade do Sagrado Coração (USC), Gesiane Monteiro Folkis.

Ela estima que cerca de 1% dos 5 mil alunos da instituição tenha ingressado na USC por esse sistema, adotado já há alguns anos. “Temos um curso de filosofia, por exemplo, que conta apenas com alunos graduados, boa parte deles em direito”, revela.

Folkis explica, porém, que a possibilidade do ingresso sem vestibular depende da concorrência. “Se alguém que tem graduação demonstra interesse em cursos em que eu não tenho vagas sobrando, como ciências biológicas, fisioterapia, publicidade e propaganda, psicologia e pedagogia, precisará prestar o processo seletivo”, declara.

O diretor da Universidade Paulista (Unip), Geraldo Magela Alves, lembra que, depois de ser aceito pela instituição, o aluno que já possui diploma do ensino superior se torna um universitário comum. “A única vantagem para ele é que não precisa passar pelo processo seletivo novamente”, diz.

Alves calcula que cerca de dez universitários se matriculam anualmente na Unip sem prestarem o vestibular.

O diretor geral do Instituto de Ensino Superior de Bauru e Centro de Educação Tecnológica (Iesb-Preve), Said Yusuf, acredita que a principal vantagem do sistema é abrir o leque de opções para profissionais formados. “Normalmente, a pessoa termina a graduação e corre para fazer a pós na mesma área, mas verificamos que muitos médicos e engenheiros estão percebendo a importância de ter o curso de administração”, analisa.

Para ele, o vestibular tradicional está com os dias contados. “A tendência é partirmos para a análise do histórico escolar, como ocorre nos Estados Unidos, até por conta da oferta crescente de vagas”, opina.

Vagas ociosas

No caso das vagas que não foram preenchidas, o sistema de aprovação automática de graduados também é uma maneira das instituições evitarem que parte desses lugares disponíveis fiquem ociosos.

A Instituição Toledo de Ensino (ITE) resolveu apostar neste filão em 2004 e espera contar com 20 universitários graduados em cada curso. “Estamos tendo uma procura significativa. São pessoas que não querem se submeter mais ao processo seletivo e não sabiam dessa possibilidade”, comenta o coordenador educacional Pedro Walter De Pretto.

A Faculdade Fênix, que está iniciando as atividades este ano, também adotará o sistema para alunos graduados. “As vagas remanescentes devem ser oferecidas a quem quer aprimorar o conhecimento. Dessa forma, está se investindo no aperfeiçoamento do profissional, que tem a oportunidade de se atualizar”, afirma a diretora acadêmica da instituição, Vera Casério.

Segundo ela, o curso de sistema de informações é o que mais tem atraído o interesse de profissionais que contam com diploma de ensino superior. “Principalmente de quem é formado em administração, recursos humanos e psicologia”, revela.

Casério acredita que o modelo ajuda a encorajar quem quer voltar a estudar e tem medo de enfrentar o vestibular. “De repente, esse candidato não conseguiu assimilar determinados conteúdos, como química ou matemática, e fica com receio de prestar o processo seletivo, pois acha que seria humilhante ser reprovado”, opina.

O diretor das Faculdades Integradas de Bauru (FIB), José Ranieri Neto, afirma que a instituição ainda não decidiu se irá abrir as vagas remanescentes para quem possui graduação. “Estamos buscando maiores informações junto ao Ministério da Educação para verificar a viabilidade de adotar esse sistema”, comenta.

Já nas universidades públicas, como a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp), as chances de adoção do sistema são mínimas, pois todas as vagas oferecidas costumam ser preenchidas.

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Incentivo

Oito anos após concluir o curso de administração de empresas na Instituição Toledo de Ensino (ITE), Salete Surani Fracalossi Botichio se prepara para voltar à sala de aula. Ela aguarda uma vaga na Faculdade Fênix para cursar gestão de sistemas de informação sem precisar enfrentar o processo seletivo.

Botichio, que é pós-graduada em gestão empresarial, afirma que a oportunidade de se ver livre do vestibular foi o que pesou em sua decisão de retomar os estudos. “Desde a época em que eu fiz a minha primeira faculdade, perdi contato com muitas matérias que caem na prova”, justifica.

Ela calcula que precisaria de um curso preparatório para ser aprovada pelo método tradicional. “Teria que perder mais um ano para fazer um cursinho e reaprender matérias que não irão somar nada ao meu trabalho”, comenta.