Estudantes que se inscreveram para trabalhar como monitores no Programa Escola da Família na Diretoria Regional de Ensino de Bauru em troca de uma bolsa de estudo estão reclamando da sistemática da seleção. Sentindo-se prejudicados, eles questionam a classificação final e afirmam que os problemas começaram na inscrição, feita pela Internet.
Fernanda Aline Colenzio Levorato, 18 anos, que vai iniciar o 4.º ano de magistério no Centro de Formação para o Magistério (Cefam), é uma das reclamantes. “Na sexta-feira, eu e uma amiga minha consultamos o resultado pelo site e nós duas tínhamos sido classificadas. Mas na segunda-feira, consultamos de novo e nossos nomes estavam na lista de espera. Nesse meio tempo houve uma alteração na lista”, conta.
Em Bauru, aderiram ao Escola da Família a Universidade do Sagrado Coração (USC), Universidade Paulista (Unip) e Instituto de Ensino Superior de Bauru (Iesb-Preve), num total de 148 vagas. Os universitários que desenvolverem as atividades nas escolas estaduais nos finais de semana terão um desconto de R$ 552,00 nas mensalidades. Metade do valor é custeado pelo governo do Estado e o restante pela instituição de ensino.
A reclamação de Débora Cota Serpa Gomes, 17 anos, também aluna do Cefam, é a mesma. “Na sexta-feira, meu nome aparecia no site entre os classificados, mas no sábado já estava na lista de espera. Na segunda-feira fui à Diretoria de Ensino e descobri que tinha muita gente na mesma situação que a minha”, diz.
Como a seleção para o programa Escola da Família prioriza alunos do Cefam, as duas acreditavam que seriam contratadas e já contavam com a bolsa para pagar a mensalidade de um curso em faculdade particular. “Eu fiz vestibular e já paguei a inscrição, mas agora não tenho condições de continuar”, diz Débora.
Há três anos trabalhando como voluntária em escolas públicas, Fernanda está na mesma situação. “Estou sem saber o que fazer: para continuar na lista de espera do Escola da Família, preciso estar matriculada na faculdade, mas não tenho dinheiro para pagar a mensalidade. Na minha opinião, não estão priorizando os alunos de baixa renda”, protesta.
Fernanda acredita que foi prejudicada já na inscrição. “Quando eu me inscrevi, pela Internet, não tinha um campo para colocar que eu já era voluntária em escola. Tive que fazer uma declaração e levar na Diretoria de Ensino, mas depois de alguns dias a ficha de inscrição passou a ter esse campo”, relata.
Já Roberth Valdir dos Santos, 20 anos, que sempre estudou em escola pública, reclama que não chegou a concorrer à bolsa por um problema na inscrição. “Na Diretoria de Ensino me disseram que a faculdade atrasou para liberar o cadastro, mas na faculdade disseram que estava tudo certo”, conta. Também já matriculado em uma universidade particular, ele lamenta ter que desistir do curso.
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Outro lado
A coordenadora do Programa Escola da Família em Bauru, Maria de Fátima Flauzina Dias, confirma que recebeu algumas reclamações de estudantes que não foram classificados. De acordo com ela, a classificação dos alunos saiu somente na segunda-feira. Na sexta-feira, segundo ela, as informações que estavam no site eram apenas para um teste.
Sobre a classificação, Maria de Fátima ressalta que é preciso observar os critérios de seleção: prioridade para os alunos que são oriundos do Cefam; depois para os voluntários que já trabalhavam nas escolas há um ano ou mais e por último menor renda familiar. A seleção é feita por uma comissão da Secretaria de Estado da Educação.
Ela frisa que entre os alunos do Cefam, têm prioridade os que concluíram o curso em 2003. “Foi feito um acordo e todos os alunos que terminaram o Cefam no ano passado vão ter direito a bolsa de estudo”, garante. Já sobre a reclamação da inscrição na Internet, Maria de Fátima diz que o campo para declarar a condição de voluntário em escola pública sempre esteve na ficha.
Sobre o aluno que afirma não ter concorrido por um problema na inscrição alheio à vontade dele, ela afirma que isso seria impossível ocorrer. “Tivemos alguns problemas devido ao atraso das universidades em liberar o cadastro dos alunos. Mas quem entregou os documentos, concorreu”, diz. Os candidatos que se sentirem prejudicados podem entrar com recurso na Secretaria do Estado da Educação.