A direção da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) está implementando um programa de corte de despesas visando eliminar o déficit operacional estimado em pouco mais de R$ 1 milhão em 2003. Antes mesmo de fechar os números do balanço, a empresa reduziu horas-extras, mudou plantões e racionou o uso de itens como telefone e xerox.
O presidente da empresa, Waldomiro Fantini Júnior, comenta que se viu diante de uma situação inusitada. “Sou de carreira na empresa, mas não teve outro jeito. Ou a gente reduz a despesa ou a situação foge do controle e não estamos esperando isso acontecer”, menciona.
O aperto nas despesas já se mostrava necessário. Mas a situação foi antecipada diante da perspectiva para fechamento das contas em 2003. Segundo dados preliminares do diretor administrativo-financeiro, Glauco Alex Vinokurovas, o orçamento do exercício projetava, ainda em meados de 2003, resultado negativo de R$ 1,1 milhão. “Mas veio o último trimestre e o orçamento para 2004 foi aprovado com um corte de R$ 1 milhão, ficando em R$ 13,9 milhão”, conta.
Em outra projeção, a área financeira estimou que o déficit poderia chegar a R$ 4 milhões ao final de 2004 se a situação persistisse. “Foi uma estimativa, mas não podemos esperar ela se realizar. A Emdurb passa a ser tributada em ISS (Imposto sobre Serviços) em 2004 e antes não pagava”, enumera.
Além disso, Glauco Alex cita a redução na receita de taxa de gerenciamento de 3% para 1% sobre as atividades do transporte coletivo. A tributação sobre o ISS atinge, sobretudo, o serviço de coleta de lixo. A Emdurb passará a recolher 2% sobre pouco mais de R$ 500 mil/mês. “Por menor que seja a despesa, ela não existia antes”, classifica o diretor.
A saída foi apertar as contas. A maioria das medidas tomadas a partir do segundo semestre de 2003 gerou alteração de rotina ou afetou ganhos adicionais dentro do funcionalismo. “São medidas antipáticas, mas passamos a nos reunir com os funcionários para mostrar o que seria feito e porque”, explica.
Para Fantini, os funcionários passaram a compreender o quadro. “É um esforço coletivo que visa resolver a questão sem começar com demissões”, define.
Os cortes
Entre agosto e dezembro de 2003, a Emdurb reduziu os gastos com hora-extra pela metade. Os cerca de 750 funcionários geraram R$ 53,2 mil em agosto. “Em dezembro fechamos com R$ 25 mil”, cita a presidência.
Segundo Fantini, a redução foi produto de adequações de jornada e turno. “Tivemos que mudar rotinas, alterando entradas e saídas para intercalar equipes sem prejudicar o serviço”, conta.
Uma dessas ações foi feita no serviço de atendimento ao público (linha 0800). Antes, a jornada era de oito horas em um único turno, com hora-extra para o serviço aos sábados. “Mudamos para seis horas diárias e dividimos em equipes, ampliando o atendimento. Com isso, o sábado passou a ser dia normal de trabalho, sem extra”, exemplifica Glauco.
Outra medida foi instituir prêmios para os setores de serviço, com pontuação para assiduidade, produtividade, redução de gastos com o uso de equipamentos e outros.
Ainda na área de pessoal, dos 43 estagiários restaram 25. A folha de pagamento bruta acabou caindo de R$ 880 mil para R$ 770 mil.
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Outras reduções
Em julho de 2003, a área de manutenção de peças consumiu R$ 73 mil na Emdurb. Em novembro passado, o valor caiu para R$ 30 mil, segundo a direção da empresa.
Mas a presidência afirma que o funcionamento dos equipamentos não está sendo prejudicado com as alterações. “Cobramos mais rigor nos gastos e critérios técnicos para a compra de peças”, argumenta a direção.
Os gastos com cópia de documentos passaram de R$ 16,5 mil em agosto passado para R$ 5,6 mil no final do ano. Cada setor passou a ter uma cota para o uso da máquina fotocopiadora.
As despesas com telefone passaram de R$ 16,5 mil para R$ 9,7 mil no mesmo período. “Cancelamos o uso de alguns celulares, inclusive para o presidente. Só o gerente tem autonomia para interurbanos sem a triagem prévia pela telefonista”, elenca Fantini.
Com combustíveis, a queda foi menor. O valor caiu de R$ 55 mil para R$ 48 mil. Em volume, a economia chegou a cinco mil litros de diesel por mês ao final do ano.