10 de julho de 2026
Bairros

Chuva alaga, mas não causa estragos

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

A chuva que caiu em Bauru no início da noite de ontem alagou as avenidas Nações Unidas e Alfredo Maia, inundou o Pronto-Socorro Ipiranga, uma casa no Parque Bauru, mas não chegou a arrastar veículos, a causar grandes estragos no asfalto a abrir erosões nem deixou desabrigados e feridos.

Na avaliação de Álvaro José de Brito, presidente da Comissão Municipal de Defesa Civil, a chuva de ontem foi a que mais causou problemas neste ano na cidade. “O maior problema foi de alagamentos e em locais já críticos, como a Nações e a Alfredo Maia por causa da deficiência no sistema de drenagem”, conta.

A chuva acumulada entre 9h e 21h de ontem em Bauru, medida pelo Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), foi de 31,8 milímetros. Como durante o dia apenas garoou, quase a totalidade da chuva caiu no início da noite. De acordo com Brito, a precipitação foi mais forte na região dos Altos da Cidade, Jardim Aeroporto, Higienópolis e Jardim Panorama, o que explica a grande quantidade de água que correu sobre a Nações Unidas.

O canteiro central da Nações ficou totalmente coberto pela enxurrada na altura do Parque Vitória Régia, mas assim que a água escoou, a via voltou à sua rotina. “Inundou, mas até que foi ‘normal’ desta vez. Depois de 40, 50 minutos a água baixou e os carros voltaram a passar”, relata a recepcionista Marina Amaral, que trabalha em um hotel nas proximidades do Vitória Régia e viu a água subir.

Já acostumado a ver a Nações inundada, o frentista Célio Silva, que trabalha em um posto de gasolina da avenida, conta que desta vez não viu nenhum carro rodando. “A enxurrada subiu, mas já teve chuvas muito piores. Os motoristas pararam e não teve problemas a não ser uma senhora que atravessou a Nações com enxurrada e tudo, mas uma caminhonete, que é alta, passou e resgatou a mulher”, conta.

O garçom Genildo Bernado, que trabalha em uma choperia na Nações Unidas, confirma que após a chuva a avenida voltou à rotina rapidamente. “Até que foi uma chuva rápida. Subiu de repente, mas passou logo”, frisa.

Por sorte, a chuva forte que caiu na região da Nações Unidas não chegou à periferia. Mesmo assim, além de resgatar motoristas de veículos com problemas mecânicos que pararam na enxurrada na Nações e na avenida Nossa Senhora de Fátima, o Corpo de Bombeiros atendeu ocorrências de casas invadidas pela água no Parque Bauru e Vila Tecnológica. Entre as noves saídas, uma foi para retirar uma árvore que caiu em uma rua da Vila Falcão e para verificar um muro em risco de desabar na Vila Alto Paraíso.

A Defesa Civil entregou colchões e cobertores aos moradores da casa no Parque Bauru invadida pela enxurrada. “A água invadiu a casa e molhou os móveis, tudo”, conta Brito. Além dessas ocorrências, Brito relata que a chuva levantou muitas tampas de bueiro e da rede de esgoto. “As tampas de esgoto levantadas indicam que as pessoas continuam despejando irregularmente água dos quintais na rede de esgoto. Ao contrário não haveria pressão na rede para movimentar essas tampas, que são pesadas”, critica.

Brito orienta a população a permanecer em locais seguros durante as chuvas. “Tem gente que sai de um local de alto nível de segurança por curiosidade, para ver um carro rodando, por exemplo, e é nessa hora que acaba sendo vítima”, alerta. Enquanto não são feitas obras de drenagem, as pessoas têm que aprender a conviver com a situação e evitar passar por locais inundados, mesmo que seja preciso dar voltas, orienta.

A previsão do IPMet para hoje é de nebulosidade variável, com chuvas em pontos isolados principalmente à tarde. Temperaturas devem estar em ligeiro declínio. A tendência para amanhã até terça-feira é de chuvas em pontos isolados.

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Pronto-Socorro Ipiranga

O Pronto-Socorro Ipiranga foi invadido pela água da chuva. O atendimento na unidade de saúde, que também está atendendo os pacientes do Pronto-Atendimento Infantil (PAI), precisou ser interrompido, mas deveria ser retomado ainda ontem, segundo o secretário de Saúde, Hanna Georges Saab.

Ele conta que seria feita uma limpeza na área invadida pela enxurrada e retomado o serviço. “A água já baixou e agora vamos fazer uma limpeza com hipoclorito de sódio e retomar a normalidade”, disse logo após a chuva.

Para Álvaro José de Brito, presidente da Comissão Municipal de Defesa Civil, é preciso refazer o sistema de drenagem da região do PS Ipiranga sob risco da unidade de saúde tornar-se inviável. “O prédio foi construído abaixo do nível da rua, o que não poderia ocorrer em Bauru, e o sistema de drenagem é insuficiente”, diz.