09 de julho de 2026
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Cidadania


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Qualquer empreendimento que se queira duradouro começa com uma base sólida. Para construir um grande país não é diferente: começa-se com saúde e educação, evolui-se para a geração de riqueza e consolida-se - em todas as fases, de preferência - com relações sociais democráticas. Um país que segue esse modelo básico pode não atingir o status de potência mundial, mas será um bom lugar para todos viverem. E onde todos vivem bem, a prosperidade e a felicidade são conseqüências. Todos trabalharão para conservá-las e ampliá-las, certos de que cada nova geração terá mais e melhores oportunidades, e estará apta para concretizar projetos cada vez mais audaciosos e proveitosos. Infelizmente, a História mostra que o Brasil sempre foi bissexto em iniciativas governamentais voltadas para melhoria de infraestrutura e desenvolvimento social. Quase sempre fez “o que mestre mandou”, ou seja, atendeu aos interesses internacionais. Assim, dá para contar nos dedos das mãos os protagonistas dessas verdadeiras efemérides: D. Pedro II (“cutucado” pelo Barão de Mauá), Getúlio Vargas, Juscelino e, aos trancos e barrancos, o movimento militar de 1964. Mesmo assim, sempre havia uma maior disposição para dividir os recursos próprios e captados no exterior entre uns poucos “necessitados”, do que para viabilizar a produção e distribuição democrática de riqueza. O resultado: em vez de autodeterminação nacional, cada vez mais dependência.

Ainda hoje, é mais comum vermos políticos interessados em tirar proveito pessoal, prévio, dos investidores, do que incentivando empreendimentos que gerem benefícios para todos.

Por conta dessa ligação capenga entre cidadania e progresso, nosso País continua sendo uma promessa. E um povo sem esperança e dinamismo nunca será capaz de dar suporte, impulso e estabilidade, indispensáveis aos projetos nacionais!

Mas sempre é tempo de transformar, e o governo federal acerta ao incrementar investimentos em infraestrutura, sobretudo saneamento e construção civil. Além de serem áreas capazes de assimilar contingentes significativos de mão-de-obra - numa faixa extremamente carente de emprego e esperança -, elas são imprescindíveis a essa primeira - e fundamental - fase do processo de desenvolvimento social.

Como bônus, investir em saneamento e habitação, com dignidade, é uma iniciativa que, em curto prazo, reduzirá, com vantagens, as despesas com os sistemas de saúde e judicial.

É dever constitucional do Estado prover a população dos recursos e condições necessários para gerar renda e assegurar seu desenvolvimento! Assim, qualquer iniciativa governamental nesse sentido não pode - e não deve - ser considerada como paternalismo ou assistencialismo. Será, sim, se não promover, pela educação, integração e apoio logístico, a auto-sustentabilidade das comunidades.

Ressurge, portanto, a esperança! Que ela não seja, novamente, apenas uma utopia. (O autor, Adilson Luiz Gonçalves, é engenheiro e professor universitário)