08 de julho de 2026
Bairros

Comunidades apropriam-se de diversos espaços

Thaís Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

Dada a falta de pistas apropriadas para o footing, as comunidades dos diversos bairros de Bauru apropriam-se de ruas e avenidas comuns para a prática da atividade.

Uma delas é a avenida Darci César Improta, que atravessa os bairros Vila Santa Terezinha e Jardim Eldorado. Trata-se de uma via extensa, mas cujos usuários encontram inúmeros obstáculos durante o percurso. São buracos, degraus, montes de terra e mato.

Muitas vezes, quem está caminhando é expulso da calçada e obrigado a transitar pelo asfalto. É o que conta Sônia Lopes, moradora do Jardim Eldorado. “A gente tem que andar no meio da pista. Aqui no bairro, a gente só tem a avenida e não é confortável para caminhar porque a gente corre riscos. Falta local (apropriado) sim”, reclama.

Outra moradora do Jardim Eldorado, Sônia Flores, também faz suas críticas. “A avenida é muito gostosa, mas falta um espaço para caminhar. Aqui é estreito e, às vezes, a calçada está quebrada. A gente tem que andar no meio do asfalto. É desconfortável”, conta.

A Nuno de Assis é outra avenida bastante procurada. O morador do Parque União José Luiz Fernandes, freqüentador assíduo, reclama das paradas obrigatórias. “O principal problema são as travessias. Às vezes, você quer manter o ritmo e tem que parar no sinaleiro. Isso atrapalha um pouco”, diz.

A esposa dele, Selma Fernandes, também tem queixas. “Adequado não é. É uma rua comum e a calçada não é adequada. Poderia ter mais espaço para caminhada”, avalia.

Lúcia Helena de Araújo mora no Parque Vista Alegre e também caminha na Nuno de Assis. Em alguns trechos, anda sobre o asfalto. “A gente está caminhando e vêm carros. É ruim. Tem mato, buraco. Nem calçada tem. A gente prefere andar na rua”, argumenta.

Ela afirma que já tentou andar em campos dos distritais de Bauru mas não conseguiu devido ao mato e aos buracos.

Vilma Duarte, moradora do Jardim Bela Vista, é mais uma descontente com a calçada da avenida Nuno de Assis. “Claro que falta uma pista. A gente caminha no meio da rua. Não é adequado. Eu acho que não custava nada melhorar pelo menos a calçada”, sugere.

Getúlio

Até mesmo quem freqüenta a avenida Getúlio Vargas para caminhar reclama da falta de opções de que Bauru dispõe para os interessados na atividade.

Marco Antônio Libânio, que mora no Centro, elogia o espaço ao redor do Aeroclube, mas sugere diversidade. “Acho que cada bairro deveria ter um lugar tranqüilo assim para caminhar”, diz.

Moradora do Jardim Paulista, Laíde Balestrieiro Soares acredita que Bauru carece de áreas verdes para caminhada, como o bosque da comunidade Jardim Dona Sarah, na Vila Universitária.

“Nós freqüentamos muito o horto, mas ele não tem uma pista onde a gente possa caminhar. Eu gostaria que tivesse mais lugares como o bosque da comunidade. Um espaço verde e com pista”, sugere.

Para William Villasboas, do Jardim América, além de pistas para caminhada, deveriam ser construídas ciclovias na cidade. “O Vitória Régia tem um piso muito irregular, não é um lugar seguro. O único lugar que você pode sair para caminhar tranqüilamente é aqui (Getúlio Vargas)”, destaca.

Já Ivaldo Donizete de Castro, morador da Vila Universitária, critica a calçada da Getúlio Vargas por ter piso irregular. “Aqui não é um local apropriado”, diz. “Em algumas partes, o terreno é irregular. É perigoso torcer o tornozelo ou ter algum tipo de contusão”, argumenta.

Freqüentadores do bosque da comunidade Jardim Dona Sarah também dão seu palpite. É o caso de Cléber Ribeiro Ramos. “Principalmente na periferia, a gente tem muita dificuldade em achar espaços. Eu acho que poderia ter mais praças para o pessoal fazer uma caminhada”, expõe.

Defesa Civil

Na opinião do coordenador da Defesa Civil em Bauru, Álvaro de Brito, é necessário planejar loteamentos futuros já prevendo espaços destinados à prática de esportes. “Tem que se pensar na dinâmica da população. Nos bairros novos, tem de se pensar na possibilidade das pessoas terem essa atividade também”, diz.

Ao observar as grandes avenidas de Bauru, Brito chega à conclusão de que a urbanização se desenvolveu sem priorizar atividades como a caminhada. “A cidade cresceu com grandes espaços priorizando os veículos”, expõe.

Ele acredita que, priorizando no planejamento da cidade espaços desse gênero, as pessoas seriam estimuladas a caminhar. “Talvez calçadas mais largas com pisos mais adequados já resolveriam o problema. Caminhar, hoje, é uma atividade de lazer também”, argumenta.

Ele afirma que, antigamente, quem praticava footing era tido como atleta. “Hoje não. Hoje, existem uma série de indicações para a caminhada. Os médicos orientam isso”, reforça.

Apesar das alternativas escassas para a atividade, Brito não recomenda a caminhada em rodovias, por exemplo. “Acontece muito, mas é extremamente perigoso fazer caminhada em rodovia”, alerta o coordenador da Defesa Civil.

Ele também orienta os adeptos da atividade a evitar caminhar nas ruas. “Às vezes, a rua tem pouco movimento e a pessoa acaba caminhando no meio da rua. Não é apropriado”, salienta.

Brito não recomenda a caminhada durante a madrugada. Principalmente no horário de verão, muita gente que acorda cedo para caminhar antes de ir para o trabalho enfrenta a escuridão.

“Dependendo do horário e dependendo do local, é complicado. Principalmente se a pessoa passar perto de terrenos baldios”, afirma.