08 de julho de 2026
Saúde

Mau hálito pode ser medido

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

O cirurgião-dentista Jonas Cardoso conta que, durante muitos anos, a única maneira que se tinha para avaliar o hálito de um paciente era cheirar o ar exalado por ele. “Mas isso dava resultados muito variáveis, pois dependia diretamente da qualidade olfativa do profissional”, comenta.

Há pouco mais de dez anos, surgiu o halimeter - um aparelho capaz de medir a quantidade de compostos sulfurados voláteis (CSV) no ar. Esses CSV são gases (odor de enxofre) produzidos por algumas bactérias durante seu metabolismo.

Como a empresa já fabricava aparelhos capazes de medir a emissão de enxofre no ar e os instrumentos podiam detectar níveis baixíssimos de CSV, os equipamentos foram levados para estudos acadêmicos. A precisão dos resultados levou ao aperfeiçoamento do halimeter.

O exame é feito em apenas cinco minutos. Um canudinho acoplado ao aparelho é colocado no interior da boca. Verifica-se os níveis de CSV enquanto o paciente prende a respiração, enquanto respira normalmente, dando uma baforada. Em seguida, verifica-se a concentração dos compostos nas narinas.

“Todas as pessoas produzem certa quantidade destes compostos, então, o aparelho nunca vai marcar zero. Considera-se um hálito normal um resultado entre 100 e 120 ppb (partes por bilhão). Se houver mais que isso, o paciente apresenta halitose”, explica.

A especialista Olinda Tárzia conta que já teve um paciente que apresentou 2 mil ppb. Segundo ela, este é o nível máximo captado pelo aparelho, o que significa que o paciente poderia estar com uma medição até maior.

“Aparelhos que medem gases tóxicos em indústrias químicas consideram intoxicante um grau de 2 ppm - partes por milhão. Dois mil ppb equivalem a 2 ppm, ou seja, aquele paciente estava se intoxicando com o próprio hálito”, destaca.

Cardoso ressalta que o aparelho não consegue determinar as causas da halitose, mas permite avaliar a intensidade do problema e acompanhar a evolução do tratamento.