08 de julho de 2026
Geral

Campanha tenta frear morte no trânsito

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 5 min

A 4.ª Companhia da Polícia Militar realiza nesta quarta-feira uma passeata pela paz no trânsito de Bauru. A mobilização marca o início da terceira campanha “Viva bem andando bem”, criada no intuito de reduzir o número de acidentes e mortes envolvendo veículos e pedestres. A principal ferramenta para isso é a conscientização.

De acordo com o capitão Nelson Garcia Filho, comandante da 4.ª Cia., que organiza o evento, os trabalhos de orientação realizados nas campanhas anteriores contribuíram para reduzir os índices de mortalidade no trânsito de Bauru, 33 óbitos em 2002 para 18 em 2003.

“Sabemos que seria quase impossível zerar esse índice, mas a idéia da campanha é pelo menos mantê-lo o mais baixo possível. No entanto, esse ano já começou com cinco mortes registradas no mês de janeiro. No ano passado, não tivemos óbitos até o mês de abril. Então, começamos 2004 com um cenário perigoso. Se continuarmos nesse ritmo, não conseguiremos segurar os níveis de mortalidade”, enaltece.

As primeiras mortes deste ano foram registradas no dia 18 de janeiro. Thiago Roberto de Souza, 19 anos, e Andressa Cristina Nunes Pereira, 23 anos, voltavam de uma festa numa moto, quando bateram num poste de iluminação no condomínio Vale do Igapó. Na época, a principal hipótese levantada pela polícia é a de que a moto estaria sendo conduzida em alta velocidade. Ao tentar fazer a curva, o piloto teria perdido o controle, colidindo com o poste.

As outras três mortes ocorreram no dia 21 de janeiro, quando um veículo com cinco pessoas bateu num ônibus circular no cruzamento da avenida Rodrigues Alves com a rua Agenor Meira. Segundo a polícia, o veículo teria avançado o sinal vermelho do semáforo. Ao tentar desviar do automóvel, o ônibus ainda atingiu uma moto. Três passageiros do carro morreram.

Garcia Filho comenta que o lançamento da campanha coincide com o início das aulas justamente por ser esta uma época em que aumenta muito o fluxo de veículos nas ruas. A frota flutuante é estimada em aproximadamente 150 mil automóveis.

“Então, queremos causar um impacto nessas pessoas para que ao levar os filhos para a escola, por exemplo, os pais se lembrem de fazê-los colocar o cinto de segurança no banco de trás, e assim por diante”, comenta Garcia Filho.

A campanha terá duração de três meses. Além da passeada, estão previstos vários bloqueios educativos. Nestas operações, policiais param motoristas nas ruas para falar sobre a importância do respeito às normas de trânsito, tanto no que diz respeito às condições de segurança do veículo, como no comportamento mais responsável do condutor.

A mobilização conta com a participação de várias empresas, entre elas a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), que distribuirá cartilhas educativas em todas as ações da polícia.

“Levantamentos indicam que a cada ano nossa frota é aumentada em 10 mil a 15 mil veículos novos. Se conseguirmos manter a mesma média de mortalidade dos anos anteriores, já teremos um ganho. Ainda assim, nossa intenção é reduzir esses números para próximo de zero”, encerra.

Serviço

A passeata será nesta quarta-feira, com saída da Praça da Paz, às 10h30. Os organizadores pedem que as pessoas usem camisetas brancas.

Vítimas da imprudência

A publicitária Silvia Fraga perdeu o irmão num acidente de trânsito ocorrido em março de 1992. Ela conta que o irmão conduzia uma moto no sentido Mary Dota-Centro. Ao fazer uma conversão no cruzamento da avenida Nuno de Assis com a rua Aimorés, uma moça de carro teria atingido a moto, lançando o rapaz ao chão.

“Meu irmão sofreu traumatismo craniano, ficou uma semana em coma no hospital e morreu. Ele tinha 27 anos e era pai de uma menina que havia nascido sete dias antes”, lamenta a irmã.

Ela lembra que o acidente só aconteceu porque não havia um semáforo no cruzamento. “A população já reivindicava um para o local havia tempos. Depois desse acidente, a prefeitura colocou. Não resolveu para meu irmão, mas pelo menos resolveu para tantas outras pessoas que passam regularmente por ali”, declara.

Outra vítima da imprudência é a professora aposentada Célia Martins Ferreira. Ela conta que saiu de casa para ir a uma loja de materiais descartáveis que fica a poucas quadras de sua residência.

“Eu teria que dar uma volta enorme para chegar lá de carro, então, preferi ir a pé. Atravessei a primeira pista da avenida Nações Unidas normalmente e comecei a atravessar a segunda. Quando estava colocando o pé na calçada, um carro que descia da avenida Duque de Caxias me atropelou”, lembra.

Ela descreve que caiu sobre o carro, quebrou e cortou a mão no pára-brisa, depois foi lançada ao chão, onde sofreu forte impacto sobre a coluna. “Fui operada da mão, que recebeu pinos, usei colete ortopédico durante muito tempo e ainda hoje tenho problemas na coluna por causa disso”, afirma.

Célia defende que a causa do atropelamento foi a falta de visibilidade do local. Na época, o “braço” que dava acesso à avenida Nações Unidas não tinha qualquer tipo de sinalização. O motorista vinha em alta velocidade e entrava direto na pista de tráfego rápido. A moça que atropelou a professora olhava para a esquerda quando atingiu a vítima pela direita.

“Por isso, fui uma das maiores defensoras da implantação do semáforo de botoeira naquela região. A colocação do sinal melhorou muito o trânsito local”, salienta.

“Olha, eu não dirijo, sou pedestre. Mas vejo que existe indisciplina dos dois lados. Os motoristas não dão seta, passam no sinal vermelho, param em cima da faixa de segurança. Mas o pedestre também espera no meio-fio para atravessar, anda na sarjeta em vez de subir na calçada, o ciclista anda na contramão, os jovens abusam com patins e skates. É um problema de educação para ambos os lados”, argumenta.

Vítimas da indisciplina, da negligência e da imprudência, as duas defendem a conscientização como a única ferramenta capaz de evitar os acidentes de trânsito.