Quem tem o hábito de praticar caminhadas com o objetivo de conservar ou melhorar o condicionamento de seu organismo poderá fazê-lo com mais conforto no calçadão da Getúlio, agora remodelada, com bom gosto e apurada técnica urbanista. A permanência da antiga árvore, talvez centenária, veio de encontro aos desejos de toda Bauru. Vista de longe, faz-nos lembrar imenso guarda-chuva aberto, esparramando enorme área circular de refrescantes sombras. A mureta de proteção que a circunda impede-nos usufruí-las diretamente. Suas compactas galhadas certamente nos proverão de um pouco mais do maior lento à vida: o oxigênio. O novo asfalto, com seu negrume brilhante, tendo à frente duas pequenas rotatórias, quebrando a perspectiva e sua reta, dá-nos a impressão de estarmos noutra cidade.
Voltando às caminhadas. Seria o momento de nos tornarmos sociáveis, exercendo com mais frequência o principal ato de civilidade: o cumprimento. Um simples aceno com a cabeça, se possível com discreto sorriso, já é uma saudação e nos torna mais simpáticos. Todos gostariam de receber um bom dia, uma boa tarde. Mas ninguém quer tomar a iniciativa de fazê-lo. Seria timidez ou indiferença às normas sociais? Quantas e quantas vezes os aficcionados às caminhadas se cruzam e nenhum alô se ouve entre eles. São estudantes, universitários, idosos, mocinhas de aparências simpáticas, que ao entardecer lotam o calçadão da nova Getúlio, caminhando, ouvindo músicas, de carros estacionados juntos às sarjetas, com seus porta-malas abertos, exibindo potentes aparatos de sons. Por que então, não se saudarem no primeiro encontro? Também os pedestres deveriam se cumprimentar. Todos são regidos pelas mesmas normas sociais, que delimitam a educação de seu povo.
Seria o ideal exercer os princípios da civilidade, com os da solidariedade, estabelecendo assim um elo de grandeza e generosidade. Essas normas estão deixando de ser observadas por alguns prestadores de serviços dos mais diversificados segmentos, das áreas Humanas, Biológicas, Exatas e outras mais. Mesmo recebendo como profissional, seu atendimento é tão apressado, mal dando tempo aos que os procuram de expor suas apreensões. Estão sempre com pressa, como se o avião o estivesse esperando, já com as turbinas ligadas. Parecem estar de mal com a vida, apesar dela estar-lhes sendo generosa. Justamente esses segmentos especializados, compostos por pessoas mais letradas, de prestigiadas formações profissionais, deveriam adotar a postura do bom atendimento e solidariedade aos que o procuram. E a polícia, no seu todo? Seria ótimo que ela também exercesse o desempenho da civilidade para com o cidadão comum, cumpridores dos direitos e deveres. Imaginaram como seria prazeroso receber um bom dia de um delegado tido como ranzinza? E uma saudação de um policial fardado, com aquele jeitão de bravo e truculento, pendente à cintura um “trabuco”, de cano de meia polegada, à semelhança do velho Oeste Americano? Nossa impressão por certo seria outra...
Uma saudação, um olhar ameno, um afagar a cabeça de uma criança nas presenças de seus pais, um sorriso de meiguice, um obrigado, dito na hora certa, um levantar de seu banco e oferecê-lo aos idosos, às grávidas, aos deficientes físicos, uma interrogação de “como vai sua família?” Essas demonstrações de apreços e urbanidades poderão transpor barreiras e angariar simpatias, abrandar rancores e implicâncias veladas. Pratiquemos, pois, esses exercícios fundamentais no dia-a-dia, e estaremos praticando a civilidade: “Ela é boa, todos gostam, mas poucos a praticam”. (O autor, Felisdeu Leão, é dentista em Bauru)