Botucatu – O Centro de Assistência Toxicológica (Ceatox) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu (100 quilômetros a Sudeste de Bauru) está sendo responsável pela realização dos exames que vão apontar as causas das mortes de dez animais no Zoológico de São Paulo. Resultados divulgados até ontem indicavam que os animais foram vítimas de envenenamento.
Os casos começaram a ser registrados no último dia 24. Em cerca de duas semanas, três antas, três dromedários, três chimpanzés e um elefante foram mortos no local. De acordo com a bióloga chefe do setor de mamíferos do zoológico, Kátia Cassaro, oito dos dez exames já realizados pelo Ceatox confirmaram a presença de fluoracetato de sódio no sangue dos animais. “É um veneno que não tem antídoto, bastante tóxico, por isso é proibido no Brasil há mais de 30 anos. É um raticida de altíssimo poder, comercializado ilegalmente”, afirma.
Segundo a vice-supervisora do Ceatox, Sandra Cordellini, as análises estão sendo feitas em Botucatu a partir de amostras de sangue e tecidos dos animais, além de alimentos ingeridos por eles.
Até o fechamento desta edição, apenas o resultado dos exames toxicológicos dos dois últimos casos descobertos na sexta-feira passada, envolvendo um dromedário e um chimpanzé, ainda não haviam sido divulgados.
De acordo com a bióloga do zôo, os animais teriam apresentado um quadro de insuficiência cardiorrespiratória, provocado por intoxicação.
A polícia instaurou um inquérito para apurar o caso e está acompanhando a rotina de alimentação dos bichos e ouvindo funcionários do local. Até o fechamento desta edição, responsáveis pelo crime não haviam sido identificados. O delegado de São Paulo que está encaminhando as investigações, Clóvis Ferreira Araújo, não foi localizado ontem pela reportagem, por telefone, para repercutir o assunto.
De acordo com a bióloga, em 46 anos de funcionamento, essa é a primeira vez que são registrados casos de envenenamento de bichos no Zoológico de São Paulo.
Kátia afirma que apesar dos animais mortos não pertencerem a espécies ameaçadas de extinção, a direção do zôo terá dificuldades para repor as perdas. “Além disso, são animais muito importantes para o zoológico, porque fazem sucesso no nosso acervo”, conta.
A bióloga afirma que os registros de mortes foram motivo de preocupação para a direção local, entretanto, as visitas não serão suspensas durante as investigações. “Isso não afeta de maneira nenhuma o público. O que mudou foi a rotina dos funcionários, que estão fazendo rondas a todo momento para ver se conseguem detectar algum animal com problemas”, afirma.
O Zoológico de São Paulo possui cerca de 3.500 animais.
• Referência
De acordo com a bióloga do zoológico, o Ceatox de Botucatu foi contratado para realizar as análises pelo fato da unidade ser um centro de referência em toxicologia no Estado. “O laboratório é excelente e é referência em São Paulo”, diz.
O Ceatox presta serviços para a comunidade e o meio acadêmico, realizando dosagens de substâncias em alimentos, águas ou tecidos animais. O local, que conta com o trabalho de farmacêuticos, químicos e biólogos, é uma unidade auxiliar do Instituto de Biociências da Unesp de Botucatu..