Olá, venerável natureza! Começamos tratando-a com todo respeito porque com uma soberana como a senhora não se brinca. Vamos, então, para um diálogo de seres adultos, educados e responsáveis. E perguntamos: o que está acontecendo com a jovem que, de pouco tempo a esta parte, vem dando uma de extremamente agressiva, fazendo despencar sobre nós tempestades fora de série, como tem acontecido em São Paulo, Recife e outras Capitais? Tem dia que você esconde o azul dos céus atrás de núvens tristemente escuras e, daí a pouco, descarrega sobre a generosa terra dilúvios de água que parecem nunca acabar, aumentando as dimensões dos rios, estabelecendo enxurradas descomunais sobre ruas e estradas, inundando estonteantemente cidades, vilas e povoados, afogando adultos e crianças, demolindo moradias e lançando veículos à inutilidade!
O que a faz tornar-se assim tão violenta, sem uma gota de piedade pelos que estão aqui, embaixo de suas torneiras, procurando fazer de dias, horas, minutos, manhãs, tardes e noites tempo suficiente para vencer os desafios dos outros males que a vida impõe ao espaço da existência com que foram premiados pela condescendência do Criador? Em outras épocas, ou seja, em outros tantos verões que passaram, você não era assim excessivamente brava. Mandava aguaceiros plenamente suportáveis. A gente até implorava que mandasse muito mais e, agora, aí está fantasiada com roupas masculinas, tentando enganar a quem pense que você seja homem e, mais que isso, homem violento, destemido, sem medo de caras feias.
Acha que está no caminho certo, não temendo que esta matéria venha a ser lida pelo Senhor dos Exércitos e Ele lhe aplique o devido castigo, dando-lhe palmadas suavizadoras de sua desmedida raiva?
Pelo sim ou pelo não, seria bom que a ilustre incentivadora dos nossos percalços contivesse sua apavorante rebeldia e respeitasse os terráqueos, possibilitando-lhes descanso de suas inaceitáveis diabruras que, acredite, são muito piores que as de crianças nos terreiros... Estamos conversados? Esperamos que sim... É a nossa opinião.
O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.
Vida e missão: O que fazemos das sementes que Deus largamente coloca em nossas mãos? Estão conosco ou são lançadas nos campos do mundo? Nossa atitude é de abrir as mãos, receber as sementes e semear sempre.