09 de julho de 2026
Geral

'Carlos Alberto é o meu filho', diz mãe

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

O olhar distante e a voz embargada denunciam o estado emocional em que se encontra Maria Izabel de Souza desde que veio a público a suspeita que o seu filho mais velho, Carlos Alberto de Souza, seria na verdade Carlos Ramires da Costa, o Carlinhos, seqüestrado em 1973. Visivelmente abalada, ela nega qualquer possibilidade de não ser a mãe biológica do supervisor de obras.

Maria Izabel, que afirma ter ficado grávida de Carlos Alberto quando tinha apenas 15 anos, diz que se sente magoada com o fato do filho acreditar na hipótese de ser o menino desaparecido há mais de 30 anos, no Rio de Janeiro. “Não esperava que ele fosse fazer isso comigo. Falei que isso tudo que estão dizendo não era verdade e comecei a ir menos na casa dele”, revela.

Maria Izabel, que tem outros três filhos e está no terceiro casamento, recebeu a reportagem do Jornal da Cidade em sua casa, ontem à tarde. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Jornal da Cidade - Por que a senhora não tem documentos ou fotos da época em que o Carlos Alberto era bebê?

Maria Izabel de Souza - A certidão de nascimento dele ficou com a minha mãe. Muitos documentos e as fotos dele quando era pequeno, depois que meus pais morreram, ficaram espalhados e se perderam. As fotos que tenho dele são de quando ele tinha nove anos.

JC - A família da senhora e o Carlos Alberto apresentam características físicas diferentes. Como isso poderia ser explicado?

Maria Izabel - A avó dele, por parte de pai, era branca, e o meu pai também.

JC - O Carlos Alberto tem dito que não possui nenhuma recordação antes dos 10 anos de idade. A senhora acredita que isso seja possível?

Souza - Eu acho incrível ele dizer que não se lembra de nada, porque, com 10 anos, você acha que ele não iria ter nenhuma recordação?

JC - E por que será que ele está dizendo isso?

Souza - Ele deve ter tido algum problema. Acho que ele está tentando encontrar um meio de ser filho da mulher do Rio de Janeiro, porque ele sabe, conscientemente, que é meu filho. Só que ele está querendo ganhar vantagem nisso. Eu não vou mentir e não vou inventar. Vou falar a verdade.

JC - Por que a senhora deixou o Carlos Alberto com os seus pais?

Souza - Até os 5 anos, eu fiquei com ele, mas na época, eu era nova e quis ter a minha própria família. Ele continuou com os meus pais, porque a minha mãe jamais iria abrir mão dele para mim. Ela não me deixou levá-lo. Era a segunda mãe dele.

JC - A senhora manteve contato com o pai do Carlos Alberto?

Souza - Só antes do Carlos nascer. Depois, ele foi embora para São Paulo e disse que voltaria para registrar a criança. Ele voltou, como foi combinado, mas minha finada mãe não o deixou registrá-lo. A revolta do Carlinhos já vem dessa época, mas eu não tinha domínio sobre mim, porque era muito criança, e não tive forças para passar por cima da minha mãe. Antes dela morrer, falei para ela que ele nunca iria me perdoar e que a culpa era dela.

JC - A senhora chegou a ver a foto do Carlinhos que desapareceu? Achou os traços físicos dele parecidos com os do seu filho?

Souza - O Carlinhos que desapareceu não tem nada a ver com esse aqui.

JC - A possibilidade de ser investigada pela polícia preocupa a senhora?

Souza - De jeito nenhum. Eu não tenho nada a temer.

JC - O que a senhora pretende fazer para tentar esclarecer esse caso?

Souza - Eu gostaria de fazer o DNA. Exijo isso. Já que estão achando que ele é o Carlinhos que foi seqüestrado há 30 anos, também quero saber onde está o meu filho.