10 de julho de 2026
Economia & Negócios

INSS aponta fim da greve dos médicos

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 2 min

O gerente executivo do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em Bauru, Josué Lopes Moreira Filho, afirmou ontem que a greve dos médicos peritos do órgão está “aparentemente se desfigurando”. Há cerca de 70 dias, oito médicos de agências da região estão parados, provocando atrasos nas concessões de benefícios, principlamente nos casos de invalidez, auxílio doença e licença por incapacidade física.

Na noite de anteontem, numa reunião que durou mais de três horas, o ministro da Previdência, Amir Lando, e representantes dos grevistas decidiram por realizar nova reunião ontem. “Ainda não tenho detalhes oficiais (sobre os resultados da reunião), mas aparentemente está se acenando com a possibilidade de finalizar, sim”, disse Moreira Filho.

De acordo com a assessoria de imprensa do INSS em Bauru, a paralisação dos peritos atinge quatro das sete agências do órgão abrangidas pela gerência de Bauru: Avaré, Botucatu, Bauru e Santa Cruz do Rio Pardo. A situação mais grave ocorre em Avaré, onde os cinco médicos peritos do quadro estão em greve e o atendimento está sendo feito por apenas um médico credenciado.

Em Botucatu, do dois médicos do quadro apenas um está parado. O atendimento é reforçado po cinco credenciados. Jaú tem dois médicos no quadro, um deles em greve. Cinco médicos credenciados auxiliam o atendimento. Em Santa Cruz do Rio Pardo, o único médico do quadro está parado, e o atendimento é feito por seis médicos peritos credenciados.

Segundo Moreira Filho, a situação em Bauru é “tranqüila”, sem ameaça de paralisação dos atendimentos. O gerente executivo afirma que a greve dos médicos nos municípios da região não sobrecarrega o atendimento em Bauru. “Em tese, não atrapalha (Bauru). A gerência é que teve de se desdobrar para socorrer as outras agências (em greve)”, afirma. Ainda de acordo com Moreira Filho, o atendimento em outras localidades também não é possível. “A perícia deve ser feita na própria localidade em que se pediu o benefício”, disse.

Sem terceirização

Um dos motivos principais que levou à greve dos médicos peritos do INSS é a falta de pessoal. Assim como em outros setores do órgão - a exemplo da máquina federal - os médicos exigem o fim da terceirização (os chamados médicos cadastrados) e concurso público para efetivação de mais profissionais no quadro próprio da Previdência Social.

Quando assumiu a gerência em Bauru, no final de janeiro, Moreira Filho havia demonstrado que a sociedade deve “engrossar o coro” do funcionalismo público pela contratação de funcionários próprios para todos os setores do INSS.

Os médicos também exigem reestruturação na carreira, com ampliação de jornada de trabalho de 20 horas para 40 horas semanais. Além disso, os peritos reivindicam equiparação da categoria a outras carreiras dentro do INSS, como os auditores fiscais. De acordo com matéria publicada pelo JC na semana passada, a ampliação da jornada causaria um impacto de R$ 150 milhões nos cofres do governo.