É bem verdade que a mão-de-obra hoje em dia disponível para a construção civil não é a mais apta tecnicamente, como desejariam os engenheiros, e bem é sabido que um trabalhador procura um canteiro de obra somente após terem se esgotadas todas as outras possibilidades. Falta mão-de-obra qualificada para a execução correta de todos os sistemas construtivos empregados no Brasil, desde os mais exigentes tecnicamente como no caso da alvenaria estrutural e de estruturas metálicas até os mais usuais como no caso das estruturas de concreto armado, ficando a cargo das empresas subsidiar o treinamento destes profissionais, fato que muitas vezes desanima o investidor.
Assim, para uma efetiva melhora na qualidade da construção civil brasileira, isto vale para a alvenaria estrutural e todos os outros sistemas construtivos, é necessária uma interferência do estado, provendo centros de aprendizagem das diferentes técnicas construtivas, formando técnicos certificados que assim serão realmente considerados operários da construção civil, e esta por sua vez será considerada efetivamente como indústria. Tal gasto estatal deve ser considerado investimento e não despesa, pois, com uma mão-de-obra qualificada se construirá com menor desperdício e maior qualidade, aumentando assim, o número de investimentos no setor, que por sua vez passará a pagar mais tributos, dinheiro que volta então aos cofres públicos, e ainda, permitirá que as empreiteiras remunerem melhor seus operários, agora merecedores do título, fazendo com que os mesmos possam levar uma vida menos desgastante fisicamente e mais salutar, mais uma vez, reduzindo gastos do estado.
Hoje em dia, muitas universidades, incluindo as três irmãs, Unesp, USP e Unicamp, oferecem cursos de pós-graduação na área da engenharia civil, sendo que muito de seus pós-graduandos recebem bolsas de estudo, ora, então por que então não utilizar esta massa e as salas de aula destes centros para treinamento de pessoal? Aos alunos de pós-graduação seria um estágio docência efetivo e construtivo, diferente dos existentes hoje em dia! Ao estado seria dispensado o gasto, em primeira instância, com a contratação de professores, oferecendo assim solução prática e não onerosa aos donos dos cofres públicos, ou seja, nossa sociedade.
O autor, Rodrigo Piernas Andolfato, é engenheiro e aluno de doutorado da USP de São Carlos.