A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) vai adotar a utilização de microônibus no lugar dos coletivos de grande porte para o transporte de passageiros até o final do mês. As mudanças vão começar por três linhas. As concessionárias vão iniciar a alteração com a circulação de seis veículos.
A informação foi confirmada ontem à tarde pelo presidente da Transurb, associação que reúne as três empresas que atuam no setor na cidade, José Antonio Jacomelli. “Vamos começar com seis ônibus em linhas de baixa demanda. As mudanças ocorrem em linhas normais, mas onde a demanda de usuários é reduzida”, cita.
A Transurb congrega as empresas Grande Bauru, Bauru Sem Limites e Baurutrans. As linhas iniciais que vão receber os veículos são Jardim Godoy/Terra Branca (dois carros), Parque das Nações/Praça do Líbano (um carro) e Vila Garcia/Jardim TV/Guadalajara (três carros).
A solicitação para a mudança foi feita pelo Conselho de Usuários do Transporte Coletivo. O objetivo é reduzir custos junto à Câmara de Compensação Tarifária (CCT), setor que remunera o trabalho das concessionárias a partir do custo pelos passageiros transportados.
Jacomelli sustenta que a alteração vai implicar em redução de custo. “A câmara tarifária compõe vários custos, entre eles consumo de combustível e valor da frota. O microônibus custa bem menos que o coletivo normal e consome menos diesel”, argumenta.
O maior impacto será na contabilidade do serviço será no valor do veículo por chassi. Segundo o representante das empresas, o coletivo de grande porte custa R$ 167 mil e o micro sai por R$ 94 mil. A Emdurb pretende efetuar o lançamento da modificação na próxima semana.
A Transurb informa que falta apenas regularizar a documentação da frota para a troca ser efetivada. “Entramos com os documentos junto à Ciretran. Os veículos são zero quilômetro e já estão pintados no padrão Emdurb”, conta Jacomelli.
Ele acrescenta que a maioria das cidades já adotou o microônibus para linhas com baixo índice de passageiros transportados por quilômetro rodado. “A cidade comporta a inclusão dessa alternativa em outras linhas. Em nossa pesquisa identificamos demanda para 22 carros. Mas vamos iniciar com seis e ir avaliando o serviço”, comenta.
O déficit da prefeitura com as empresas ficou acumulado em cerca de R$ 6 milhões até o final do ano passado. O valor, em geral, aumenta nos meses de janeiro e fevereiro, em função da queda no número de passageiros transportados. “A volta às aulas deve equilibrar o resultado a partir de março”, aponta Jacomelli.
Segundo dados preliminares, os coletivos tradicionais podem levar até 75 pessoas em uma lotação completa, sendo 36 pessoas sentadas. O microônibus pode atingir lotação total de 42 pessoas, sendo 30 sentados.
A redação não localizou o presidente da Emdurb, Valdomiro Fantini, no início da noite de ontem para comentar as mudanças.
____________________
Sugestão
A substituição de circulares convencionais por microônibus em linhas deficitárias (com baixo fluxo de passageiros) como alternativa para racionalização de custos foi sugerida à administração municipal pelo Conselho de Usuários de Transportes Coletivos, em meados do ano passado.
Na época, a entidade recebeu um ofício com a proposta de mudança do assessor parlamentar Mauro Gonçalves e passou a estudar meios que garantissem economia ao sistema de transporte coletivo, informa o presidente do conselho, Rubens Roberto de Souza.
“Acatamos o ofício (encaminhado por Gonçalves), mas a idéia já era analisada pelo Conselho. Ela foi proposta numa reunião com o presidente da Emdurb e com o prefeito Nilson Costa”, explica.
De acordo com Souza, durante o encontro a entidade também recomendou o custeio do vale-transporte para estudantes, idosos e deficientes como forma de incentivar o fluxo de passageiros.
“São propostas que só beneficiam. A mudança (das linhas convencionais) para microônibus não vai prejudicar o usuário porque os microônibus serão empregados apenas em linhas deficitárias”, destaca Souza. (Luciana La Fortezza)