09 de julho de 2026
Polícia

Leilão da Ciretran atrai ambulantes

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 2 min

O leilão público promovido ontem e anteontem pela 5.ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Bauru para a venda de 641 carros e motos apreendidos não atraiu apenas os interessados em adquirir os veículos. Do lado de fora, cerca de dez vendedores ambulantes aproveitaram o evento para comercializar lanches, churrasco, bebidas e até canetas.

O interesse dos comerciantes foi motivado pela grande circulação de pessoas no pátio da Ciretran, onde até uma tenda foi montada para poder sediar o leilão.

O ambulante Dionei Martins resolveu vender churrasco, refrigerantes e cerveja na calçada do pátio. Ele estima ter comercializado cerca de 80 espetinhos no primeiro dia de leilão, cada um a R$ 1,00, e esperava repetir essa quantia ontem. “Venho só em eventos”, afirma.

Segundo ele, porém, os negócios ficaram abaixo na expectativa. “Essa é a terceira vez que eu participo dos leilões e nas outras duas vezes estava melhor”, lamenta. A mesma constatação foi feita pelo ambulante Arnaldo Ferreira Júnior, que estava comercializando canetas. “Em relação aos outros anos, está mais fraco. Acho que é porque os veículos saem sem documentação, só para sucata, o que atrai menos gente”, opina.

Ele calcula ter vendido 30 unidades até o final da manhã de ontem e não demonstrava esperança de aumentar consideravelmente esse número. Cada uma era negociada a R$ 1,00.

Se os vendedores ambulantes ficaram decepcionados com a possibilidade de lucro, a situação da maioria dos participantes do leilão era diferente. “Só ontem (anteontem) comprei uma moto e três carros”, afirma Elias Zacarias Ferreira, dono de um ferro-velho em Botucatu.

Para ele, o leilão público é um negócio imperdível. “É a única oportunidade para conseguirmos matéria-prima”, justifica. Os 421 carros e 200 motos leiloados foram apreendidos há mais de 90 dias. Eles estão sendo vendidos sem documentação e número de chassi válidos.

O diretor da Ciretran, Abel Fernando Paes de Barros Cortez, explica que essa medida é tomada para impedir que os veículos possam ser adquiridos posteriormente por quadrilhas interessadas em utilizar a sua documentação ou chassi para regularizar carros e motos roubados ou furtados. “Com isso, estamos ajudando a coibir essas ações na região”, argumenta.

Além de serem destinados a reaproveitamento de peças ou sucata, Cortez afirma que os veículos também podem circular em áreas fechadas, como chácaras e fazendas. “As pessoas que os adquirem não pretendem utilizá-los em vias públicas, o que é proibido”, comenta.

Esse é o caso de Reinaldo Braga, que trabalha com assessoria jurídica e possui uma chácara. “Eu vim ao leilão interessado em comprar uma moto para andar na minha propriedade, mas fiquei sabendo que hoje (ontem) só serão vendidos carros”, lamenta.

Os veículos adquiridos no leilão devem ser retirados em um prazo de dez dias. Depois disso, os novos proprietários começam a pagar uma taxa diária pela utilização do pátio da Ciretran.