08 de julho de 2026
Auto Mercado

Circulando: O Beetle e os Beatles

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

A cabeça e o coração do paulistano “naturalizado” bauruense Carlos André Rodrigues, 29 anos, músico, funcionam no compasso de duas paixões: a música e o carro. Mas Turco, como é conhecido nas ruas e bares da cidade, sai logo dizendo que não é qualquer canção que faz sua cabeça, muito menos qualquer carro.

Repetidamente, em torno de sua vida circulam dois sons antigos: o ronco do motor do Fusca (Beetle) e o som dos meninos de Liverpool, Inglaterra. “Gosto de Beatles e de Fusca”, define.

Curiosamente, os “besouros” de Turco guardam relação entre si também em torno da origem dos próprios nomes históricos. Criado na década de 1930, na Alemanha, o “carro do povo” - tradução literal da palavra alemã Volkswagen para o português - veio ao mundo batizado de “besouro” (Beetle).

Em outro canto, na Inglaterra, em 1956, John Winston Lennon formara sua primeira banda para tocar em festas e igrejas. Depois, a banda chegou a ser chamada de “Beetles” para, em 1961, a ortografia ser mudada para “Beatles”.

Ambas as histórias, o músico bauruense conhece bem. “O Fusca, o baixo e as canções dos Beatles me acompanham”, dita. O carro mais popular da indústria automobilística acabou, assim como a banda de Liverpool. Os dois “produtos” também venderam milhões em formato redondo em todo o mundo.

Mas Turco, que só veio ao mundo em 1975, não deixa essa história se apagar.

”Já havia tido cinco Fuscas e agora deixei esse completo”, orgulha-se. Há pouco tempo, ele adquiriu seu último modelo, um Fusca 69, motor 1.300. “Ele estava fora do padrão original, com suspensão rebaixada e banco alto. Reformei inteiro, lataria, tapeçaria e coloquei um motor 1.300 novinho”, ensaia.

Turco deixou a Capital paulista aos 14 anos. Aqui, passou a estudar música e a cantar em coral. Pura ambigüidade adolescente. “Mas minha primeira banda foi Ramones Cover e meu carro predileto o Fusca”, define.

Por falar nos dois lados da questão, o visual de Turco também tem seu “lado B”. “Uso uma roupa ambígua, que valoriza minhas tatuagens no corpo meio como adereços. Já no Fusca não deixo colocar nada de adesivo. Quero manter tudo original”, define.

No fusquinha

Atualmente, Turco percorre casas noturnas regionais levando em seu fusquinha um repertório para cada situação. “Toco baixo com a banda de rock e faço também acústico com violão”, aponta.

Para reduzir o risco do roubo de seu xodó sobre quatro rodas, o músico colocou acessórios. “Primeiro eu procuro lugares movimentados e bem iluminados para estacionar o carro. Mas também coloquei trava, alarme e tudo o que é direito”, avisa.

O jovem usa o carro no dia-a-dia. “Saio com ele todo dia. Eu optei pelo Fusca porque queria ao mesmo tempo um carro antigo, mas que eu pudesse usar. E ele não me deixa na mão”, comenta.

Aos poucos, o carro adquirido há três anos passou a ganhar todos os acessórios originais, como friso, volante, trilhos, assoalho, calota, logotipo. “Paguei R$ 2.300,00, mas já gastei uns R$ 8.000,00 nesse tempo no carro”, declara o rebelde com causa.

O consumidor define sua própria relíquia de uso cotidiano: “É um carro extremamente simples. Com um alicate e um pedaço de arame ele funciona. Mas ele sempre avisa antes de dar algum problema e eu corro para consertar”, fala Turco.

Por falar em concerto, no dia da entrevista o jovem precisou acelerar o bate-papo para sair em viagem com seu Fusca para a cidade de Bariri, na região de Jaú. Lá, foi tocar “Love me do”, o primeiro sucesso dos Beatles!

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Perfil

• Gosto de ouvir no carro: “Assim como o Fusca, muita música antiga. Creedence, Beatles, Rolling Stones, Raul Seixas. Mas também ouço Secos e Molhados, Mutantes, Legião”.

• Pega a estrada vestido de: “forma ambígua. Quando saio para tocar com a banda, a roupa explora minhas tatuagens. Para passeios, uso um visual mais sóbrio”.

• O que não toca no carro: “Axé, pagode e sertanejo. Se a garota pedir o som que não gosto, falo que o rádio está quebrado, que o carro é velho”.

• Quem não leva no Fusca: “O fumante não entra. Se for um camarada até paro o carro para ele fumar. Depois continuo”.

• Quem entra no fusquinha, com prazer: “Adoraria levar só mulher. Mas de vez em quando aparecem umas caronas e tudo bem”.

• Entrega a chave do Fusca para quem: “”Para ninguém. Nem meu pai dirige este carro. É um xodó. Meu pai ajuda na boa a polir, lavar. Acho que dá azar emprestar carro”.

• Para onde gosta de ir com o carro: “Para o bar do Espanhol, Vila Madalena, Jack e Armazém”.

• Carro dos sonhos: “Se tivesse grana compraria um Omega zero, top”.

• Cidade preferida: “Acho Bauru maravilhosa, morar aqui é demais porque fiz amigos das mais variadas profissões e estilos na noite, de todas as classes sociais”.