A era da injeção eletrônica na indústria automobilística continua pedindo que os usuários de veículos se desfaçam de alguns costumes. Em matéria de economia de combustível, colocar o carro na “banguela”, por exemplo, não gera resultado, embora muitos ainda cultivem esse hábito ao volante. O AutoMercado & Cia acompanhou um teste de economia de combustível organizado pela Fiat Automóveis. Entre uma volta e outra, levantamos orientações para você gastar menos, com segurança.
O torneio foi realizado entre jornalistas da imprensa especializada brasileira no autódromo de Tarumã, em Porto Alegre (RS). De volta a Bauru, identificamos nas ruas que o usuário conhece pouco sobre como consumir menos combustível.
A primeira questão é que a “banguela” - colocar o carro desengrenado em descidas - não tem resultado prático. Os técnicos da Fiat Automóveis lembram que esse hábito só tinha algum sentido na era do carburador.
Por este sistema, o motorista pode até ter algum “controle” sobre o volume de gasolina que percorre o caminho do tanque ao motor. Mesmo assim, se o condutor tiver o “pé pesado” o resultado final será inexpressivo.
Já o sistema eletrônico mantém a quantidade de combustível injetado constante e equilibrada. Além disso, colocar o carro em ‘ponto morto’ na descida (outra forma popular de definir a banguela) aumenta os riscos de acidente. Ao menor imprevisto, o motorista não terá o carro engrenado (“engatado”) para efetuar a manobra necessária para se livrar da situação.
Mudança de hábito
Mas, se a intenção é gastar menos para reduzir a despesa com combustível, existem hábitos seguros e eficientes a seguir. Todo o manual do veículo (aquele que a gente quase não tira do porta-luvas) contém orientações sobre manutenção e procedimentos.
Entre as informações básicas, estão manter o carro regulado, com checagens periódicas dos níveis de óleo, água, pressão dos pneus, alinhamento, etc. Monitorar o consumo com freqüência também ajuda.
Isso pode ser feito em todo abastecimento. Ao encher o tanque, zere o hodômetro (medidor de distância percorrida). Na próxima chegada ao posto, divida a quilometragem pelo total de combustível adquirido.
Com essa operação, o usuário passa a ter dados reais sobre o comportamento do carro. O menor sinal de alteração na média de consumo será facilmente identificado. É evidente que é aconselhável utilizar um posto de sua confiança, evitando o uso de gasolina “batizada” (adulterada).
Se o carro começar a ficar ‘gastão’, procure orientação. A simples troca de filtros de ar e de combustível podem resolver a situação.
Mas existem outras dicas disponíveis nos manuais ou nos sites das montadoras. Ao volante, o motorista não deve acionar a chave de ignição com o “pé enfiado no acelerador”.
Outra orientação dos fabricantes é acionar o motor em dois tempos. Basta certificar que a caixa de mudanças está liberada (ponto morto) e girar a chave de partida até o ponto que aciona o sistema eletrônico. Isso vai durar cerca de 15 segundos. Tempo suficiente para que todos os sistemas sejam acionados. Em seguida, a chave deve ser girada até a partida.
Com o carro funcionando, não adianta ficar “esquentando” o motor. As montadoras orientam que isso seja feito ao longo do percurso, naturalmente. Em movimento, evite aceleradas e freadas bruscas. A primeira ação vai levar mais gasolina ao sistema. A segunda vai gerar retomadas de velocidade com maior consumo e desgaste dos freios. Em pouco tempo, o prejuízo sai dobrado.
Outro hábito que deve ser evitado é transformar seu carro em multiuso. Ultrapassar a capacidade de carga é um desses casos. O ideal está na ficha técnica do manual. Há uma infinidade de outras ações que podem ser seguidas, a maioria de fácil execução. É só uma questão de hábito.
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Mais dicas para reduzir consumo
• Pare com a mania de acelerar o carro antes de desligar. E não deixe o carro trabalhando em rotação acelerada.
• Evite acelerar a fundo. A aceleração equilibrada reduz o consumo e a poluição.
• O consumo é menor nas marchas altas. Faça a troca de marchas de acordo com as indicações de rotação e potência inscritas no manual.
• A maioria dos carros tem consumo menor com troca de marchas efetuadas em faixas de 2.000 a 3000 rpm.
• Por exemplo, se o manual diz que a velocidade máxima em segunda marcha é 70 km/h, ao atingir 35 km/h mude de primeira para a segunda e vice e versa.
• Não imprimir velocidade em excesso. Além de desobedecer a legislação, você estará gastando mais no tanque e aumentando os riscos na viagem.
• Dirija de modo regular e na estrada mantenha velocidade constante sempre que possível.
• A pressão baixa dos pneus aumenta a resistência ao descolamento. Calibre com freqüência.
• Não mantenha cargas desnecessárias no carro.
• Programe os itinerários sempre que puder, evitando engarrafamentos ou fluxos intensos.
• Siga o plano de manutenção do veículo, conforme o manual.
• Não tente ligar o carro em intervalos muito curtos. Se o carro não pegar na primeira tentativa, espere uns 20 segundos.
• Esquente o motor em movimento. Se ele afogar, vá desafogando gradualmente.
• Não faça movimentos bruscos ao dirigir e manobras repentinas. Preveja quando tiver que parar para evitar acelerações.
• Não pare o carro com o pé no acelerador. Se a parada for prolongada, desligue o motor.
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Opinião das ruas
• Maria Helena, de Blumenau (SC), está passeando em Bauru com seu Celta. “Dirigir em velocidade constante economiza. Mas eu não sei nada mais sobre motor, potência. Mulher só sabe andar”, avalia. O Celta de Helena faz 15 km/litro na estrada. “Sem forçar, a 100 km/h. Com o ar ligado gasta mais”, conta.
• Antonio Donizete trabalha em escritório de contabilidade e usa a moto na profissão. “Tenho a moto pela agilidade e economia e um Kadett para o passeio. A moto faz 35 km/litro”. Ele rodou dois mil kms com a moto em três meses. “A economia de combustível paga a parcela da moto e ainda sobra para abastecer”, cita.
• Ailton Rodrigues Andrada vem sempre a Bauru a negócios, mas mora em Cabrália Paulista (SP). “Andar devagar ajuda na economia. Procuro manter a velocidade perto de 100 km/h na estrada. Na cidade, já não sei como fazer”, comenta sentado em seu Monza.
• Márcio Henrique Ghiraldelli usa seu Fusca para ir à faculdade e ao trabalho. O técnico de informática dá boas dicas sobre redução de consumo: “Não pode esticar a marcha, é preciso aproveitar os embalos e andar sempre com o motor em rotação baixa”, fala.