O jornalista Renato Acciarto, da Gazeta Mercantil de São Paulo, obteve a melhor marca no Torneio de Economia Valter Boor, realizado na semana passada no autódromo de Tarumã, em Porto Alegre (RS). Ao volante de um novo Mille Fire, lançado na mesma ocasião, ele conseguiu estabelecer 23,13 quilômetros rodados com um litro de gasolina.
O torneio Valter Boor foi organizado pela Fiat Automóveis em homenagem ao jornalista que dedicou boa parte de sua carreira ao estudo do consumo de combustível. Participaram do torneio, os profissionais de imprensa especializados que participaram do lançamento do Mille Fire. Como prêmio, Arcciato levou um modelo novinho para casa. A marca de 23,13 km/l foi conquistada em ambiente diferenciado. Os participantes realizaram baterias no percurso do autódromo com os veículos calibrados pela própria fábrica.
Durante os testes, ficou evidente que marca é praticamente impossível de ser alcançada no dia-a-dia das ruas. Além do uso específico na pista, os carros contam com a mesma padronização, como pressão dos pneus, e ainda realizam o percurso sem as armadilhas do trânsito urbano.
De qualquer forma, todas as dicas informadas na matéria principal desta página são colocadas em prática durante o teste. O destaque fica por conta da necessária sutileza e leveza ao tocar o veículo.
Entre os profissionais, o comentário mais comum girava em torno do detalhe: “Um movimento brusco no volante gera uma marca de consumo mais alta”. Entre uma manobra e outra na curva, o teste ainda teve que ser realizado com duração máxima de seis minutos para a volta completa no autódromo.
O teste foi auditado por consultores do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e pela empresa Napro, contratada para realizar a homologação do transdutor de fluxo (verificação de consumo).
Reestilização
A Fiat apresentou no evento o novo visual do Mille Fire, o quinto carro mais vendido do País. A renovação do modelo não incluiu o motor, que continua sendo o eficiente e econômico 1.0 de 55 cv.
O carro, que já vendeu mais de 8,7 milhões de unidade em todo o mundo e quase dois milhões no Brasil, sofreu mudanças sobretudo na parte externa. A dianteira agora traz um pára-choque com a grade incorporada e duas linhas que se prolongam no capô como colunas. O resultado é uma frente com cara mais robusta. Os faróis são uma única peça, integrando as luzes principais.
A traseira ganhou lanternas maiores e a tampa do porta-malas ficou visualmente mais lisa, exibindo o logo Fiat. A versão quatro portas perdeu o vinco na altura das maçanetas. A montadora também modificou o revestimento interno das laterais do veículo, do teto e dos bancos. O Mille agora tem encosto de cabeça.
Para o diretor comercial da montadora, Lélio Ramos, o Uno é um marco da indústria no País. “Foi o primeiro carro com motor de um litro, o primeiro 1.0 com ar-condicionado, o primeiro turbo fabricado no Brasil e é a melhor relação peso/torque entre os populares”, elenca.
A Fiat considera a “atualização de design” uma evidência de que a linha Mille não sairá de fabricação. “Muitos compram o seu carro pela primeira vez nesta faixa onde está o Uno. E para esse público o preço é fundamental”, cita Ramos.
Assim, a montadora optou por modificar muito pouco o preço do carro. O Novo Mille Fire está sendo oferecido na internet na versão básica, duas portas, a R$ 15.990,00 - R$ 700,00 a mais que o modelo anterior. O quatro portas sai por R$ 17.130,00. O valor pode ir a R$ 22.000,00 com os opcionais.
Mercado
A Fiat está otimista em relação ao mercado neste ano. “Projetamos 1,5 milhão de veículos vendidos no país em 2004, algo em torno de 10% acima de 2003”, avalia Lélio.
Vale situar que o resultado ainda estará distante das quase duas milhões de unidades comercializadas em 1997. De outro lado, a Fiat espera continuar contribuindo para a balança comercial brasileira. “Vamos aumentar a exportação em 50%, saindo de 40 mil para 60 mil unidades em 2004”, conta.
A indústria automobilística instalada no país está com ociosidade de quase 50% nas linhas de montagem. “O benefício de reduzir o IPI ajudou, mas ainda é pouco. A Fiat usa 65% da capacidade de fábrica”, comenta. A capacidade instalada do Brasil é de 3,2 milhões de unidades a serem produzidas por ano.