08 de julho de 2026
Bairros

DAE não garante abastecimento normal

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 6 min

Apesar dos investimentos que o Departamento de Água e Esgoto de Bauru (DAE) tem feito na área de abastecimento, não há garantias de que em 2004 não faltará água na cidade.

De acordo com o diretor da Divisão de Produção e Reservação da autarquia, Isaar de Almeida, novos reservatórios e poços prometem melhorias no sistema de distribuição de água. Ele alega, entretanto, que muitas pessoas confundem falta de água com cortes para manutenção.

“Faltar água é uma questão complicada. Há aumento ou diminuição do consumo dependendo do clima. Temos locais em que temos que construir reservatórios. Isso está no plano de metas do DAE. Nosso objetivo é melhorar”, garante Almeida.

Confira, a seguir, trechos da entrevista concedida ao JC nos Bairros.

JC nos Bairros - O DAE percebe que, no período de chuvas, as pessoas se esquecem das orientações para economia de água?

Almeida - Aquela conscientização que a gente faz na época de seca não é válida só naquele período. Ela é válida sempre. A questão da água é que temos que preservar para ter. Acho que, no período de seca, temos que agir dessa maneira com mais intensidade. Mas essas orientações em relação ao bom uso da água têm que ser constantes ao longo de todo o ano, independente do período ser chuvoso ou não. Sempre temos em mente que devemos gastar o mínimo possível. O necessário. Temos que ter qualidade de vida com o gasto mínimo. A população tem que tomar consciência e agir dessa forma.

JC - Há realmente mais desperdício na época de chuva?

Almeida - Eu acredito que, nessa época de chuva, a população tende a não ficar atenta a essa questão. Elas pensam que acabou o problema. Na verdade, o problema não é só na época de seca. Ele existe sempre e devemos ter isso sempre em mente. Se há um aumento exagerado de consumo em função de desperdício, o DAE tem que investir mais para produzir cada vez mais. E isso tem custo. À medida em que a população colabora, serão necessárias menos obras para atender à demanda.

JC - Como o senhor avalia a situação do abastecimento de água em Bauru atualmente?

Almeida - A situação do abastecimento está normal em termos de distribuição de água. Estamos distribuindo o suficiente para o consumo.

JC - Em 2004, vai voltar a faltar água?

Almeida - Estamos executando um poço na região da Nova Esperança, que está em obras, e estamos em andamento com um processo para perfuração de mais um poço. Esse poço seria na região abastecida pelo Batalha. O nosso objetivo é perfurar esse poço este ano e colocar em funcionamento de tal maneira que haja uma redução do volume de água do Batalha. Num certo setor da cidade, nós vamos passar a utilizar água subterrânea e, conseqüentemente, vamos deixar de usar água do manancial superficial, que é o rio. Com isso, a gente tende a alcançar o objetivo, que é diminuir os setores de abastecimento do Batalha.

JC - Qual é a previsão para funcionamento dos novos poços?

Almeida - A gente quer que até meados do ano o poço da Nova Esperança esteja funcionando. O outro que está em tramitação ainda não tem data. Mas a gente pretende funcionar antes da próxima seca.

JC - Hoje, o Batalha responde por 42% do abastecimento de Bauru. Com o novo poço, a redução será de quanto?

Almeida - Na vazão média, o Batalha produz em torno de 500 litros por segundo. Vamos deixar de tirar 70 litros por segundo por causa do poço.

JC - Fala-se que os poços estão sendo superexplorados...

Almeida - O DAE sempre procura fazer um poço distante do outro para evitar interferências. O bombeamento tem que ser feito de uma maneira criteriosa. Temos poços em que estamos operando com vazão menor que a definida em projeto, visando a preservação do manancial.

JC - Outras medidas podem ser tomadas a longo prazo, visando a melhoria do abastecimento?

Almeida - Estamos com 28 poços em operação, incluindo o de Tibiriçá. Temos limitação de perfuração, para observar o espaçamento entre os poços. Temos projetos prontos de mais poços. Mas isso tem limite. Temos que pensar, então, em outro abastecimento superficial. Existe até proposta de buscar água no Tietê. Essa hipótese não está descartada. Mas, no momento, o DAE pensa em outro manancial superficial que está dentro da área do município e que tem uma qualidade de água melhor. É o Água Parada. Estamos armazenando dados para possibilitar a discussão de custos de uma nova unidade de tratamento de água superficial.

JC - Isso seria para quando?

Almeida - Eu não posso precisar. Hoje, a distância do Batalha até a nova ETA é de 2.500 metros. Esse outro manancial, a distância é de 15 quilômetros (do ponto que estamos estudando até o nosso primeiro reservatório). Vai ser uma adutora mais longa. O custo é maior. Não é uma coisa para funcionar daqui a cinco anos. É para mais longo prazo.

JC - Como está a reforma da ETA?

Almeida - Estamos fazendo por etapas. Estamos fazendo com recursos próprios. Reformamos todo o sistema de acionamento hidráulico das mesas de comando. Reformamos o sistema hidráulico de um poço e vamos continuar isso. Na medida da disponibilidade de recursos do DAE, estamos mexendo.

JC - Quais são os próximos passos?

Almeida - O fundamental é reformar os filtros e alterar o sistema de saída de água.

JC - Tem previsão?

Almeida - Não tem. Se tiver um recurso externo, vamos agilizar isso.

JC - Em 2004, vai voltar a faltar água ou não?

Almeida - Faltar água é uma questão complicada. Há aumento ou diminuição do consumo dependendo do clima. Temos locais em que temos que construir reservatórios. Isso está no plano de metas do DAE. Isso também vai influenciar nosso sistema de distribuição. Nosso objetivo é melhorar. Na parte alta do Jaraguá, que era considerada crítica, foi inaugurado reservatório no final do ano passado. Estamos com o problema lá sanado. Estamos com processo em andamento para concessão de reservatório no Geisel. Vamos duplicar ou triplicar o volume de reservação que temos hoje. Isso vai gerar uma melhora nas condições de abastecimento.

JC - Mas não dá para garantir que não vai faltar?

Almeida - Existe um problema no sistema operacional do serviço de água. Temos enterrados no solo de Bauru 1.500 quilômetros de rede. Existem muitos vazamentos em que você consegue fazer a manutenção normalmente. Em outros, você não consegue. Tem que fechar o sistema para fazer a manutenção. A população às vezes entende que está faltando água. Isso ocorre todos os dias.