Crianças, jovens, adultos e idosos devem ser alvos dos eventos de conscientização sobre a água promovidos pela Campanha da Fraternidade deste ano, que será iniciada oficialmente no dia 25 de fevereiro e cujo tema é “Água, Fonte de Vida”.
O coordenador da campanha na Diocese de Bauru, Francisco Ferreira Nunes, afirma que já estão sendo realizadas palestras que abordam o tema nas comunidades paroquiais. A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) elaborou material direcionado aos diversos públicos. Alguns livros são destinados especialmente às crianças em idade escolar.
“Estamos fazendo palestras para que o povo interessado possa se esclarecer e tirar dúvidas. Dessa forma, cada um se torna um agente da campanha de preservação da água, que é uma necessidade de todos”, argumenta.
Na opinião do coordenador, a Igreja é um meio eficiente de conscientização das pessoas. Ele enfatiza que, além dos freqüentadores das paróquias, a campanha atingirá a rede de ensino de Bauru, que abrange grande quantidade de pessoas.
“A Igreja tem essa possibilidade porque congrega em seu seio uma população muito grande. Na rede de ensino, o material vai ser distribuído através da Pastoral da Educação e do ensino religioso nas escolas. É uma população significativa”, enfatiza.
O objetivo, segundo Nunes, é alertar para o uso racional da água. “Queremos esclarecer a população sobre o grave problema pelo qual passam os nossos mananciais e contar com a colaboração do povo”, diz.
Outra finalidade seria fazer uma arrecadação de dinheiro. “É para atender às necessidades das pessoas que mais sofrem com a falta d’água no Brasil, principalmente na região Nordeste. Isso é via CNBB de Brasília”, explica Nunes.
Um dos focos da campanha será o desperdício de água. “Quando a falta d’água começa a ameaçar, todos vêem que é preciso economizar. Quando o abastecimento está normal, ninguém se lembra de que dá muito trabalho e despesas para essa água chegar às nossas torneiras. Seria bom que todos começassem a economizar desde já para que ela dure mais tempo”, argumenta.
O coordenador alerta para a crise do abastecimento de água em Bauru. “Estão matando o rio Batalha, que é o rio que ainda abastece boa parte da população de Bauru. Ele está quase morto. Já está nascendo mato no leito do rio Batalha. Em conseqüência, o DAE (Departamento de Água e Esgoto de Bauru) tem perfurado poços artesianos. Isso não é bom”, avalia.
Comunidade
A comunidade que freqüenta a Paróquia Nossa Senhora Aparecida e que já está participando de palestras sobre a água aprova o tema deste ano da Campanha da Fraternidade. É o caso de Mércia Terezinha de Oliveira, moradora da Vila Universitária.
“Eu acho o tema maravilhoso. É preciso conscientizar o povo de que não podemos deixar a água acabar. Muita gente desperdiça água. As pessoas não têm interesse em conservar os rios”, lamenta.
Viviane Segatto Battaiola, moradora dos Altos da Cidade, também mostra-se preocupada com a questão ambiental. “Já está mais do que provado que a água vai acabar daqui a alguns anos. Então, é muito bom a Igreja tomar partido disso e conscientizar as pessoas”, avalia.
“Tem muita gente desperdiçando, apesar de muita informação, atualmente”, acrescenta Viviane.
O morador do Parque Vista Alegre Mário Mateus diz que com freqüência presencia cenas de desperdício. “Tem o pessoal que lava as calçadas. As conseqüências vêm mais tarde”, afirma.
Tito Pereira, outro morador dos Altos da Cidade, também alerta para o problema de abastecimento. “Em Bauru, já enfrentamos problemas com falta de água e corremos o risco de ter problemas piores. A situação é complicada e difícil e é preciso que o povo entenda isso”, expõe.