08 de julho de 2026
Bairros

Superexploração

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

De acordo com o ambientalista Rodrigo Agostinho e vereador (PMDB), voluntário do Instituto Ambiental Vidágua, outro problema sobre o qual a população precisa ter conhecimento é a superexploração dos poços profundos de Bauru.

O problema de abastecimento não concentra-se apenas na região servida pelo rio Batalha. De acordo com Agostinho, os poços apresentam rebaixamento do nível de água.

“Isso significa tirar mais água do subsolo do que a natureza tem capacidade para repor. O nível dos poços vai diminuindo e muitos acabam sendo inutilizados”, agrava o ambientalista.

O Aqüífero Guarani, sobre o qual Bauru está assentada, está sofrendo rebaixamento em muitas regiões do Estado, tais como as de São José do Rio Preto, Sorocaba e Ribeirão Preto. “Em Bauru não é diferente”, diz Agostinho.

Ele salienta o limite de abastecimento de água em Bauru. “É importante que as pessoas economizem o ano todo e que criem uma cultura de economizar água, não despertando para o combate ao desperdício apenas nas épocas de estiagem”, diz.

A grande questão, na opinião do voluntário, é utilizar a água com racionalidade. É importante que as pessoas reconheçam a água como um produto natural limitado e finito.

“Precisamos de uma sociedade que seja sustentável, e não uma sociedade sem limites, que acabe consumindo os recursos da natureza independente desse limite que a própria natureza impõe”, orienta.

Agostinho lembra que, de acordo com determinação da Agência Nacional de Águas (ANA), está sendo instituída a cobrança pelo uso da água. Em algumas cidades do estado de São Paulo, a medida já está em vigor.

Nas bacias os rios Paraíba do Sul e Piracicaba, foi fixado o valor para uso doméstico da água de R$ 0,01 por metro cúbico. O preço é determinado pelos comitês de bacias.

Em Bauru, os comitês das bacias que a cidade abrange ainda não fixaram nem preço, nem prazo para implantação e nem os procedimentos de cobrança. O Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru informou apenas que, quando as medidas forem fixadas, a lei deve ser cumprida.

“Hoje, as pessoas só pagam a tarifa pelo serviço de fornecimento de água e pela coleta de esgoto. A nova cobrança pode significar um aumento considerável nas tarifas de água e esgoto”, explica Agostinho.

Na opinião do ambientalista, entretanto, a cobrança não seria suficiente para conter o problema do desperdício. “Tem aquelas pessoas que acham que, se elas podem pagar, elas podem desperdiçar água”, diz.

“O governo está analisando a cobrança como uma forma de conter o desperdício. Mas a gente entende que a questão do combate ao desperdício deve se iniciar a partir de mudanças culturais - das pessoas saberem que a água é limitada”, acrescenta o ambientalista.