08 de julho de 2026
Bairros

Com chuva, desperdício de água aumenta

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Em tempos chuvosos, muita gente se esquece da importância da economia de água e da crise do abastecimento em Bauru, que ainda não foi solucionada.

Embora a chuva auxilie a limpeza de quintais e calçadas, a população insiste no costume de utilizar a mangueira como vassoura, gastando grande quantidade de água diariamente. Outro hábito comum é deixar a torneira aberta durante a escovação de dentes ou tomar banhos demorados.

Enquanto ambientalistas alertam para a problemática da água em Bauru e no mundo, o Departamento de Água e Esgoto de Bauru (DAE) não garante que em 2004 não haverá racionamento de água. O problema é, inclusive, tema da Campanha da Fraternidade deste ano, que promoverá ações de conscientização.

Aguinaldo Anastácio da Silva, presidente do Conselho Municipal dos Usuários dos Serviços de Água e Esgoto de Bauru, diz que vê o desperdício no dia-a-dia. “Se você for num bairro hoje, você vê gente lavando calçada, carro etc. Isso é prejuízo”, afirma.

Na opinião do presidente do conselho, os postos de gasolina que fazem lavagem de carros são os usuários que mais gastam água. “A gente pretende fazer uma fiscalização e controle dos postos. E discutir com os proprietários a possibilidade de evitar o gasto excessivo de água”, expõe.

De acordo com Aguinaldo, muita gente só se preocupa em economizar água quando ela já falta nas torneiras. “A população só vai se preocupar na hora em que está faltando água. E acha que, se está pagando, pode gastar. Essa preocupação tem que ser o ano todo”, avalia.

“O desperdício não tem temporada. É geral. No verão ou no inverno, o desperdício de água é total”, acrescenta.

Quanto ao abastecimento, o presidente do conselho acredita que a solução é construir mais reservatórios e aumentar a captação em poços artesianos. “Para solucionar esse problema, temos que fazer vários reservatórios grandes nos diferentes setores”, opina.

Ele acredita também que é preciso recursos para a reforma da Estação de Tratamento de Água (ETA) de Bauru. “O problema maior em Bauru é a questão do dinheiro. Temos que buscar dinheiro para fazer a captação da água. A ETA hoje encontra-se em situação precária: 10% da água tratada volta para o rio por falta de manutenção”, diz.

Enquanto isso, o conselho pretende elaborar documentos educativos para distribuir em escolas, sindicatos e associações comunitárias.

“A idéia é fazer uma espécie de gibi. Hoje em dia, para chamar a atenção das crianças, você tem que saber o que a criança quer ler”, explica Aguinaldo.

Reutilização

O coordenador da Defesa Civil em Bauru, Álvaro de Brito, também mostra-se preocupado com o desperdício. “As pessoas fazem aquela vassoura hidráulica: apertam o dedo na ponta da mangueira, ela abre um leque e fica como uma vassoura. É comum”, denuncia.

Ele diz, ainda, que vê muita água correndo nas ruas. “Há um desperdício muito grande. O fato de estar chovendo não quer dizer que pode desperdiçar. A economia é uma questão de educação”, enfatiza.

Brito destaca os gastos elevados que o poder público tem para tratar a água. “Estamos jogando fora uma água fluoretada, clorada. Custa caro fazer esse tratamento e colocar à disposição para o consumo humano”, reforça.

Um dos hábitos que devem ser incorporados à rotina da população, na opinião do coordenador da Defesa Civil, é a reutilização do produto. “A água que sai da máquina dá para lavar o quintal, por exemplo. Nós temos grandes áreas de estacionamento que poderiam captar água da chuva”, exemplifica.

“A questão da água hoje é mundial. Vamos ter guerra por causa de água já já. O que a gente joga fora hoje vai faltar daqui a alguns meses. Sem dúvida”, acrescenta Brito.

Às pessoas que estão construindo suas casas, Brito recomenda a instalação de caixas d’água grandes. “Pode extrapolar a norma porque vai faltar água”, afirma.

“Seria bom que a população se educasse para que a gente tivesse uma folga até encontrar uma outra fonte de abastecimento para, pelo menos, metade da população da cidade”, acrescenta o coordenador da Defesa Civil.