Apaixonados pelo Carnaval. Assim são dezenas de bauruenses que, apesar das dificuldades, prometem não deixar os festejos do Momo acabarem na cidade. São entusiastas, sambistas, músicos, compositores, artistas plásticos, costureiras, entre outros colaboradores, que se desdobram para que as escolas de samba possam se apresentar em grande estilo, mesmo que seja apenas em seu bairro de origem.
Esse é o caso de seis grupos carnavalescos da cidade: Azulão do Morro (Parque Jaraguá); Flor das Laranjeiras e Coroa Imperial (Núcleo Presidente Geisel), Mocidade Independente (Vila Falcão), Tradição da Zona Leste (Núcleo Mary Dota) e Águia de Ouro (Jardim Bela Vista).
Como pelo terceiro ano consecutivo não haverá desfile no Sambódromo, as escolas se preparam para se apresentar, de sexta a terça-feira, nos próprios bairros.
Às vésperas do Carnaval, os grupos ainda não receberam o auxílio de R$ 5 mil reais que foi anunciado pela Prefeitura Municipal para a compra de materiais. Segundo o secretário de Cultura, Sérgio Losnak, a previsão é de que a verba seja liberada amanhã ou terça-feira.
Mas o dinheiro não será suficiente para cobrir todos os gastos, afirma Alexsandro Bussola, presidente da Flor de Laranjeira. “Fica complicado fazer tudo em cinco dias”, reclama. A outra parte necessária para a festa fica por conta da boa vontade dos integrantes das escolas, que trabalham pesado para manter a tradição da folia do Carnaval.
O carnavalesco e morador do Geisel, Carlos dos Santos, é um dos que ajudam a preservar a folia popular. Há vários anos, ele se dedica a confeccionar fantasias para a Flor de Laranjeira. “Faço por amor à escola e ao Carnaval”, diz.
A presidente da Azulão do Morro, Aparecida Brito Caleda, concorda com Carlos. “O jeito é improvisar. Usamos papéis, garrafas, caixas, aproveitamos qualquer material para produzir os enfeites”, conta. A poucos dias do Carnaval, ela abriu as portas de sua casa para que alguns integrantes da escola pudessem montar fantasias e carros alegóricos.
Mas sobra tarefa também para toda sua família. Durante o tempo de folga, sua irmã Maria Brito da Silva, borda a roupa da porta-bandeira da Azulão do Morro. Seu marido, José Carlos Caleda, ajuda na produção dos carros. Já o filho Edson Carlos Brito Caleda, coordena os músicos da bateria.
“Sempre gostei do Carnaval, antes da Azulão (que existe há quatro anos), eu saía com minha mãe na antiga Império da Vila Nova Esperança. Com a prefeitura ajudando ou não, nós sempre vamos desfilar no nosso bairro”, afirma Edson.
Assim também pensa Irineu Pereira da Silva, mestre de bateria da Flor de Laranjeira. Após a morte do famoso mestre Landinho (em outubro de 2002), ele passou a comandar o grupo formado por aproximadamente 60 músicos. Há mais de um mês, eles ensaiam na rua que inspirou o nome da escola.
“Faça chuva ou sol nós estamos tocando”, conta Irineu. Tanta dedicação se confirmou no ensaio realizado na noite da última quinta-feira. Mesmo sob forte chuva - que caiu por volta das 21h no local - o grupo não parou de tocar. “Não podemos deixar o samba acabar”, diz. “O Carnaval é uma das poucas festas gratuitas do ano. Durante a folia, todos se divertem e não vamos deixá-lo morrer”, reforça Alexsandro.
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Desfiles
• Águia de Ouro - sexta-feira, às 21h, entre as quadras 1 e 3 da avenida Vinicius Gandolf, Jardim Progresso.
• Azulão do Morro - sábado, às 21h, entre as quadras 5 e 9 da avenida Gabriel Rabelo de Andrade, Parque Jaraguá.
• Coroa Imperial e Flor de Laranjeira - domingo, às 20h, entre as quadras 4 e 6 da avenida das Laranjeiras, Núcleo Geisel.
• Mocidade Independente - segunda-feira, às 21h, entre as quadras 7 e 11 da rua Campos Salles, Vila Falcão.
• Tradição da Zona Leste - terça-feira, às 21h, entre as quadras 8 e 15 da avenida Marcos de Paula Raphael, Núcleo Mary Dota.