08 de julho de 2026
Saúde

Vacinação é melhor opção de combate

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Imunizar animais e seres humanos é a melhor arma de que se dispõe para evitar algumas zoonoses. A vacinação anti-rábica, por exemplo, foi instituída no Brasil em 1973. Hoje, ela é uma das campanhas mais tradicionais do Ministério da Saúde.

A raiva não tem cura e mata 100% das pessoas contaminadas. A doença pode ser transmitida ao ser humano por qualquer mamífero, mas os principais vetores de contaminação no Brasil são cães e gatos. Por isso, uma vez por ano, o governo realiza uma campanha de vacinação em massa para imunizar esses animais. Até hoje, a cobertura vacinal média do País é de 80% da população animal estimada.

A meta do Ministério da Saúde é eliminar a raiva transmitida pelo cão ao homem até o fim desta década. “Conseguimos um decréscimo nos anos 90, quando o número de casos caiu de 73 para 25 anuais”, comenta a coordenadora de Antropozoonoses e Doenças Transmitidas por Vetores do ministério, Rosely Cerqueira.

Segundo a Agência Saúde, um dos obstáculos para a erradicação da doença é a proliferação de cães sem dono ou que, mesmo com dono, permanecem a maior parte do tempo soltos nas ruas. Eles acabam não recebendo a vacina. Para evitar o abandono dos animais, o governo pretende promover campanhas de conscientização sobre a posse responsável.

“Como não existe cura para essa doença, a pessoa mordida por um cão (gato, morcego ou outro mamífero) deve procurar imediatamente uma unidade de saúde de seu município. Ali ela receberá o tratamento adequado, com a aplicação de soros e vacinas, além dos cuidados no local da agressão”, recomenda a Agência Saúde. A orientação vale, inclusive, para arranhões superficiais causados por animais da própria casa.

Outro exemplo de zoonose que pode ser prevenida com vacinas é a febre amarela. Causada pela picada do mosquito Aedes aegypti (o mesmo transmissor da dengue), a doença ataca o fígado e os rins e pode provocar a morte.

A maior incidência da patologia ocorre de janeiro a abril, periodo das chuvas, quando aumenta a reprodução do mosquito. Simultaneamente, aumenta também o deslocamento de pessoas, motivado pelo ecoturismo.

O Ministério da Saúde oferece a vacina gratuitamente em todos os municípios do País. A vacina não tem contra-indicações e pode ser tomada a partir dos seis meses de vida. Ela é recomendada para pessoas que moram em regiões endêmicas (onde é aplicada de forma rotineira) e para turistas que viajam para essas regiões.

Além disso, para evitar a importação de casos novos, o Brasil também exige o Certificado Internacional de Vacinação contra a febre amarela para todos os turistas vindos da Bolívia, Peru, Venezuela, Guiana Francesa e África - países onde a doença é endêmica.

Infelizmente, porém, a maioria das zoonoses não pode ser prevenida com vacinas. Nesses casos, a prevenção depende diretamente de ações individuais e coletivas. O uso de repelentes e mosquiteiros, por exemplo, evita a contaminação por picada de insetos.

Além disso, pessoas que têm animais domésticos devem zelar criteriosamente pela saúde e higiene dos mesmos. Os cuidados devem incluir banhos freqüentes, destinação adequada para urina e fezes, lavagem regular de quintais, visita periódica ao veterinário e vacinas.