Policiais militares de Bauru e Lins integram a comitiva brasileira que está nos Estados Unidos no 15.º Encontro Internacional de Prevenção Criminal Juvenil, que começou no sábado e termina hoje. Participando do evento pelo terceiro ano consecutivo, eles apresentam a experiência do programa Jovens Construindo a Cidadania (JCC) implantado em Bauru, Lins e outras cidades da região com objetivo de reduzir a violência nas escolas.
O JCC é um projeto da polícia americana que foi estendido a vários países, inclusive o Brasil. Em Bauru, o programa foi implantado em 1999, fruto de um intercâmbio firmado em 1996 entre o Comando de Policiamento do Interior-4 (CPI-4) e a polícia de Miami, lembra o capitão Jorge Duarte Miguel, comandante da 1.ª Cia de Lins.
Na escola Ayrton Busch, que fica no Parque Jaraguá, uma das 11 onde o JCC funciona em Bauru, o número de brigas, desentendimentos e outros delitos envolvendo alunos reduziu em 80% nos últimos anos, segundo o soldado Raeder Adilson da Silva.
Ele, que é orientador do JCC na escola, explica que a função do policial é manter uma relação estreita com 15 a 20 alunos, que vão atuar como multiplicadores de informação junto aos colegas. “Temos que ganhar a confiança do aluno e, usando a linguagem dele, apresentar sugestões para resolver os problemas, como brigas”, diz.
Se na hora do intervalo é comum ocorrer briga entre os alunos, o policial sugere a adoção de atividades físicas e até música, ressalta o capitão Jorge. São essas experiências que a PM levou aos Estados Unidos.
“Participamos desse encontro do JCC Mundial há dois anos, com vários países, e nas duas vezes ganhamos prêmio. Depois dos Estados Unidos, o Brasil é o país em que o JCC mais prosperou”, diz.
Para ser orientador do JCC, o policial precisa fazer um curso sobre o programa e estar disposto a enfrentar o desafio de conquistar a confiança dos adolescentes, ressalta o capitão Flávio Jun Kitazume, comandante da 3.ª Cia. “É um trabalho sério e as pessoas, a comunidade, estão vendo o resultado e apoiando”, ressalta.
Kitazume lembra que o policial que é orientador do JCC também é um voluntário. “Muitas vezes o trabalho no JCC ultrapassa o horário de saída do policial”, comenta.
Mais segurança
O soldado Mauro Rogério de Souza, orientador do JCC nas escolas Luiz Castanho de Almeida e Stela Machado, afirma que à medida que os resultados das ações dos alunos que participam do JCC começam a surgir, outros procuram o grupo. “E assim a gente vai ampliando o grupo. O resultado é que não precisamos mais de policial fixo na porta da escola. Hoje trabalhamos apenas com a Ronda Escolar”, completa.
Além de desenvolver atividades para combater a violência, os alunos do JCC também se envolvem em ações sociais, como campanhas de alimentos e agasalhos para a comunidade carente, ressalta a sargento Denise Lima Marques, coodenadora de projetos comunitários da 3.ª Cia. “No ano passado, além de campanhas do agasalho, recolhemos armas de brinquedo”, salienta.
Nas 11 escolas de Bauru, o JCC atinge 800 alunos diretamente e cerca de 4 mil indiretamente, de acordo com a sargento Denise. Em Lins, uma das cidades da região a contar com o programa, as atividades são desenvolvidas com os internos da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem).
O tenente Marcelo Oliveira Saoncella, orientador do JCC na Febem, que trabalha com adolescentes autores de atos infracionais graves, como homicídio, latrocínio e tráfico, afirma que os resultados já são quantificados. “Já temos uma convivência melhor, com redução de brigas e maior conscientização sobre o perigo das drogas e valorização da vida”, enumera.
Como o único orientador do JCC a atuar dentro da Febem, Saoncella conta que leva aos internos exemplos de pessoas que também cometeram infrações e tiveram a liberdade cerceada, mas que mudaram de vida. “Um dos exemplos que dou é de um tenente da PM que já está aposentado e que foi interno da Febem”, cita.
De Bauru, viajaram para participar do Encontro de JCC Mundial, nos Estados Unidos, os soldados Raeder e Mauro Rogério. Já o capitão Jorge e o tenente Saoncella representam Lins no evento. A sargento Denise ressalta que todas as despesas de viagem foram pagas pela iniciativa privada, que apóia o JCC. São elas: Tilibra, Bünge, Supermercados Confiança, Sukest, Gás Afonso, Eadi-Cipagem, FM 94, Mezzani, Conseg Centro/Sul, Disbauto, Carnaíba e Jornal da Cidade.