O lança-perfume, que na década de 60 era livremente usado, é considerado entorpecente. Quem for pego cheirando, vendendo, comprando ou oferecendo o produto, ainda que gratuitamente, poderá sofrer os rigores da lei, avisa o titular da Delegacia de Investigação Sobre Entorpecente (Dise), José Henrique Gomes dos Santos.
De acordo com ele, o princípio ativo do lança-perfume, cloreto de etila, é considerado entorpecente tanto quanto a maconha, crack e cocaína perante à lei. “O lança-perfume, seja importado ou fabricado em fundo de quintal, é entorpecente. Portanto, quem estiver usando poderá ser indiciado por porte e uso”, diz.
Quem estiver comercializando o produto ou oferecendo, ainda que gratuitamente, poderá ser indiciado por tráfico de entorpecente, alerta o delegado. “O tráfico é um crime inafiançável com pena que varia de três a 15 anos de reclusão.”
O alerta faz parte da campanha desencadeada pela Dise anualmente para conscientizar a população. “Fazemos isso porque o lança-perfume foi por muitos anos liberado. Só a partir de 1983 é que passou a ser considerado entorpecente.”
A campanha do ano passado surtiu efeito positivo, na opinião do delegado. “Esse entorpecente surge na época do Carnaval. No ano passado, apreendemos um frasco nesta mesma época. Foi em um acidente de trânsito. Um dos motoristas envolvidos no acidente portava um frasco que não tinha sido adquirido em Bauru”, relembra.
Para reprimir o uso de entorpecentes durante os festejos carnavalescos, a Dise vai desencadear uma fiscalização nos clubes e próximos aos locais de grande concentração de pessoas.”
Parada respiratória
O médico legista Ivan Segura explica que o princípio ativo do lança–perfume é o cloreto de etila, que provoca um efeito anestésico no homem. “Ele age no sistema nervoso central. A sensação é de alívio, bem-estar. Pode diminuir o cansaço e até a dor.”
Porém, dependendo da sensibilidade do usuário e da dose utilizada, o lança-perfume poderá provocar uma parada respiratória. “Ou ainda uma taquicardia, aceleração do ritmo do coração.” A parada respiratória é a que mais preocupa o médico. “Pode levar à morte”, alerta.