08 de julho de 2026
Articulistas

A carga tributária


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Creio que você compartilha da opinião daqueles que não suportam mais pagar tantos impostos. O Brasil tem a terceira maior carga tributária do mundo. Perdemos somente para Alemanha e Suécia que, cá entre nós, oferecem serviços com qualidade infinitamente superior a do Brasil. Em 1994, o governo, em todas as suas esferas, subtraía, em termos de tributos, cerca de 28% de tudo que se produzia no País. Quase dez anos depois, essa carga aumentou para 38%. Mais de um terço.

Pagamos impostos e não percebemos. O imposto está no pãozinho, no arroz, nos carros, enfim, na maior parte dos produtos. São os impostos indiretos como o ICMS, IPI, Cofins. Além desses impostos ainda temos o imposto direto, como o imposto de renda, que no caso do trabalhador é retido na fonte, não tendo escapatória. Também convivemos com uma séria de taxas e contribuições. A CPMF, por exemplo, é tributada na movimentação financeira.

Um estudo aponta que, dos 12 meses que uma pessoa trabalha, se fosse pagar primeiramente o governo, ficaria cinco meses sem receber nada, ou seja, só teria sete meses de salário. Além disso, as tarifas administradas como energia, água, entre outras, consomem cerca de um terço da renda familiar.

Isso não deve ser motivo para sonegação de impostos, o que dificulta ainda mais a melhoria das condições de vida da população, mas é fundamental que tenhamos uma visão crítica dessa situação e que quando formos votar, saibamos que os eleitos irão administrar esse bolo de dinheiro. Você deixaria seu dinheiro com qualquer um? Quando não há critério no voto corremos o risco de permitir que pessoas sem capacidade decidam o que fazer com nosso dinheiro, que por sinal, não é pouco.

A carga tributária possivelmente não será reduzida, que ao menos saibamos escolher quem irá tomar conta do dinheiro público.

O autor, Reinaldo Cafeo, é vice-diretor da Faculdade de Ciências Econômicas de Bauru, economista, delegado do Corecon e mestre em comunicação.