O grupo de pesquisa Informática Aplicada à Gestão Educacional (IAGE) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Araraquara elaborou uma avaliação do programa Escola da Família, que tem como objetivo abrir as escolas estaduais para a comunidade nos finais de semanas. Dos 23 itens analisados, 10 tiveram conceito “ótimo” e 13 “bom”.
A pesquisa entrevistou 31.811 pessoas, entre coordenadores, diretores, voluntários, universitários e membros da comunidade em todo o Estado. Elas responderam um questionário pela Internet ou passaram por entrevistas pessoais. As perguntas giraram em torno da qualidade do programa, atividades e estrutura oferecidas e desempenho dos coordenadores.
A presença de educadores profissionais foi o item que recebeu, em média, a melhor nota (91). Já os equipamentos e materiais disponíveis para as atividades do programa tiveram o pior resultado da pesquisa. (nota 69).
Em Bauru, as 49 escolas vinculadas à Diretoria Regional de Ensino estão participando do programa. As atividades são coordenadas por cerca de 250 universiários, que recebem um desconto de R$ 552,00 nas mensalidades. Metade do valor é custeado pelo governo estadual e o restante pela instituição.
Para a coordenadora do programa em Bauru, Maria de Fátima Flauzina Dias, o resultado da pesquisa da Unesp reflete o que tem sido verificado nas escolas estaduais da cidade.
Ela acredita, porém, que ainda há espaço para melhorias. “Esse programa é novo. Foi iniciado em agosto e não tem nem um ano. Nos primeiros meses, por exemplo, as escolas estavam arcando com todo o tipo de material para suprir o que é exigido pelas atividades, mas agora recebemos uma verba para adquirir equipamentos”, relata.
O universitário Thiago Machado Oliveira, que trabalha como monitor de informática na escola estadual Joaquim Rodrigues Madureira, afirma que o Escola da Família tem correspondido às suas expectativas. “Os alunos estão tendo um contato direto com a Internet, o que é muito bom. A participação da comunidade também tem sido satisfatória”, opina.
Dados da Secretaria de Estado da Educação revelam que, desde que o programa foi implantado, os índices de pichação, arrombamento, roubo de equipamentos e depredação caíram em todo o Estado. Segundo Dias, essa realidade também pôde ser constatada em Bauru. “Não temos mais verificado este tipo de problema com a mesma freqüência de antes”, relata.
Para a diretora da União dos Diretores do Ensino Médio Oficial do Estado de São Paulo (Udemo) em Bauru, Maria José de Oliveira Faustini, os resultados do Escola da Família não justificam o desgaste causado aos diretores de escola, que deixaram de ter folga aos finais de semana.
Ela acredita que a insatisfação só não é maior em razão do salário extra de R$ 400,00 oferecido pelo governo estadual aos diretores. “Eles têm que cumprir uma carga de quatro horas aos sábados e domingos, mas estão mais satisfeitos do que no início, quando não recebiam nada”, declara.