08 de julho de 2026
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Preceitos educativos


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Certamente a tolerância constitui um dos atributos mais necessários na composição física das pessoas, por ser a capacidade que os seres precisam possuir para aceitar aquilo que lhes seja diferente ou mal entendido. Bem reproduziu a figura do homem-tolerante o emérito apóstolo Paulo, que na sua primeira carta aos Coríntios (13, 4-7) o definiu como sendo aquela pessoa “paciente e prestativa, não invejosa nem ostentativa, que não se inflama de orgulho, nada faz de inconveniente, não procura seu próprio interesse, não se irrita nem guarda rancor, não se alegra com a injustiça e nem se rejubila com a verdade, tudo desculpa, tudo crê, tudo espera e tudo suporta”.

E o apóstolo vai às profundezas, entrando fundo no mar de bem-aventuranças que o homem, a mulher e a criança devam trazer em si para ser tidos e havidos como dotados de tolerabilidade. Não quer dizer tudo isso que o dono de tantos atributos seja um tolo, julgando-se dono da verdade, ainda que, ao mesmo tempo, seja normalmente um inseguro.

Constata-se a presença do mal da intolerância em todos os campos, pois que não deixam de exercê-la os meios político-administrativos e as esferas sociais e trabalhistas, assim como os borborinhos familiares, nos quais se lhe defere uma incidência de desencontros de opiniões, idéias e pensamentos que leva, então, referida tolerância, a se tornar detestável intolerância. E, o que é pior, desvia os divergentes individuais ou grupais dos menores parâmetros de amizade e condescendência, assim como da fraternidade. Conseqüentemente, é a indulgência uma habilidade que, não sendo desenvolvida segundo os melhores critérios, de forma nenhuma induz a qualquer aceitação da pluralidade de idéias e posicionamentos, uma vez que a divergência dos conceitos estará sempre em litígio, facultando, conseqüentemente, que os entendimentos pessoais se choquem no alto das montanhas, as quais deixam então de ser verdejantes para se revestirem das cores escuras da insensatez e do desequilíbrio emocional. A solução do problema está em aprender-se a descobrir nas conjecturas do próximo o que elas tenham de igual ou parecido com as dos outros. É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

“Todos vão para o mesmo lugar, pois todos são apenas pó e todos ao pó um dia tornarão.” Eds. 3, 20.