09 de julho de 2026
Regional

Representantes da Nova Zelândia visitam aldeias guarani e terena

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 3 min

Avaí – Representantes da embaixada da Nova Zelândia no Brasil visitaram na última quarta-feira aldeias indígenas da reserva de Araribá, em Avaí (39 quilômetros a Noroeste de Bauru). Eles vieram conhecer o primeiro projeto agrícola desenvolvido pelas mulheres terenas e guaranis das tribos Kopenoty, Pyhau e Tereguá, iniciado em junho do ano passado.

De acordo com a presidente da Associação das Mulheres Indígenas do Centro-Oeste Paulista (Amicop), a terena Jupira Manoel Sobrinho, essa foi a primeira vez que representantes internacionais visitaram as aldeias da região. “O objetivo foi que eles conhecessem de perto a nossa realidade”, diz.

Os recursos para o desenvolvimento do projeto agrícola, no valor de R$ 12 mil, foram liberados pela embaixada da Nova Zelândia, numa parceria firmada com a Amicop. Jupira afirma que, a partir do investimento, as mulheres das aldeias plantaram batata, mandioca, milho, arroz e feijão. A primeira colheita está prevista para junho deste ano.

Segundo a líder terena, a verba foi aplicada na aquisição de sementes, óleo diesel e equipamentos para o trabalho na lavoura.

Jupira explica que o apoio da embaixada foi um primeiro passo para que as índias começassem a desenvolver a atividade agrícola. Além de ajudar na subsistência da tribo, a intenção das mulheres é comercializar os excedentes da plantação.

“Nós esperamos que esse projeto tenha um bom retorno para a comunidade. Nós estamos batalhando para mostrar que as mulheres indígenas têm capacidade de desenvolver a tribo juntamente com os homens”, diz.

De acordo com a líder terena, muitos índios de Araribá, inclusive mulheres, foram obrigados nos últimos anos a sobreviverem como bóias-frias em fazendas vizinhas. Ela afirma que estímulos como esse da embaixada da Nova Zelândia têm ajudado a reverter essa quadro. “Nós estamos conquistando um espaço para cultivo dentro da nossa própria reserva”, diz.

Além dos projeto agrícola, a embaixada de Nova Zelândia também investiu na realização do primeiro seminário das mulheres indígenas do Centro-Oeste Paulista, realizado em 2002, em Bauru.

Acompanhamento

De acordo com o primeiro- secretário da embaixada da Nova Zelândia em Brasília, Jeff Langley, o objetivo principal da visita foi acompanhar o desenvolvimento do projeto. “Nós viemos aqui para dar um apoio e ver como foi gasto o dinheiro que a gente liberou para o projeto agrícola das mulheres”, diz. “E o que vimos lá agradou. Achamos que o dinheiro foi empregado muito bem”, completa.

Segundo ele, a embaixada da Nova Zelândia tem uma verba reservada para investimentos em pequenos projetos comunitários, como o desenvolvimento agrícola sustentável. “Esse projeto mesmo (das índias de Avaí) foi de grande interesse nosso por dois motivos: porque está incluindo um povo nativo e também as mulheres”, explica.

De acordo com o secretário, a Nova Zelândia tem uma preocupação particular com as questões indígenas mundiais.

Langley conta que o povo nativo do País soma 15% da população e tem participação ativa na economia e política. “Nós estamos vendo como em outros países a realidade das pessoas indígenas não é a mesma”, avalia.

Durante a visita à aldeia, além de conhecer a lavoura das terenas e guaranis, Langley e a representante do programa regional para América Latina da Agência de Desenvolvimento Internacional da Nova Zelândia, Deborah Collins, presenciaram a apresentação da danças típicas e foram presenteados com artesanatos. “Foi uma experiência rara e emocionante visitar a aldeia”, relata Deborah.