31 de maio de 2026
Auto Mercado

Entrou água no carro?

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 5 min

O dia-a-dia corrido, a pressa e a distração podem “ajudar” você a esquecer um dos vidros de seu veículo aberto. O pior é que, além de ampliar as chances de um assalto, seu carro ainda fica exposto ao mau tempo. E se o azar se completar com uma boa pancada de chuva, o interior do veículo corre o risco de ficar encharcado. O AutoMercado & Cia foi ouvir um profissional que atua no ramo para saber o que pode ser feito em uma situação como essa.

Descobrimos que nada está perdido. Em primeiro lugar, é claro que o ideal é você se certificar de que os vidros de seu veículo estejam bem fechados antes de deixa-lo estacionado por aí. Outra situação incomum - mas que muitos ainda teimam em enfrentar - é passar por um local alagado em plena tempestade. Neste caso, os prejuízos serão bem maiores.

O responsável pela empresa Poliauto, Ivanildo Pereira Braga Júnior, instalada na Vila Falcão, está acostumado a ser chamado a socorrer bancos e estofados nessas situações. Mas, há 12 anos na área, ele aponta que boa parte dos usuários não sabe como agir nessas ocasiões.

A primeira orientação é não tentar resolver o problema sem retirar bancos e carpetes do assoalho. “Se encharcou bastante precisa desmontar, não tem jeito. Deixar secando por algumas horas ou tentar usar o aspirador não vai resolver”, conta.

Júnior explica que a umidade invade a espuma dos bancos e, muitas vezes, também atinge os feltros existentes nos compartimentos. “O tecido e a espuma absorvem água com facilidade. Sem desmontar não há como secar todo o interior do veículo e seus componentes”, argumenta.

Neste caso, a retirada do banco, estofados e carpetes é feita por completo. As capas dos bancos também saem, para serem lavadas em separado. “As espumas ficam secando de um dia para o outro, em separado”, menciona.

A medida é necessária para eliminar a umidade e evitar o mau cheiro. Outro objetivo dessa ação é evitar a formação de mofo ou fungos.

Situação parecida ocorre quando o motorista se aventura a passar por uma área alagada. “Se o carro enfrentou uma enchente é pior, porque o assoalho e os bancos enchem de lama e sujeira junto com a água”, adverte Ivanildo.

Ele conta que muitos tentam, em vão, resolver o problema dando um “banho” com água limpa por baixo dos compartimentos. “Não dá para limpar com os bancos no local. Os carpetes também precisam ser lavados sozinhos e os cantinhos do interior do carro precisam ser secados para não ficar pontos de ferrugem com a umidade e a lama”, acrescenta.

Nos carros atingidos por enchentes também é preciso fazer a troca da espuma. Em alguns casos, os revestimentos também são substituídos. As lojas que atuam no ramo de reformas contam com opções adequadas para cada modelo. “Com a enchente, a espuma não seca mais. Precisa trocar”, garante Júnior.

Outra situação que pede a mesma providência é para os estofados encardidos. Se a sujeira se acumula no local e não sai, a capa do banco precisa ser destacada para que o problema não passe para a espuma.

O custo da lavagem e recuperação dos bancos é maior para os modelos onde o tecido é colado à espuma. São os casos do Fiesta fabricado na Espanha (modelo antigo) e o Renault Twingo, por exemplo.

A situação mais complicada, segundo Ivanildo, é quando o estofado mancha com sangue. “Neste caso, é preciso trocar a capa do estofado e a espuma. Senão o mau cheiro fica insuportável. Sangue dá para dar uma limpada, mas sempre fica uma mancha e o cheiro”, define.

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Solução caseira

A procura por serviço especializado é adequada para os casos mais complicados. Mas se os estofados receberam pequenas sujeiras, a solução pode ser caseira. “Uma dica importante é você limpar a área suja logo após identificar o problema”, aponta.

A ação pode surtir bons resultados para pequenas manchas provocadas por doces, iogurte, chocolate, alguns pingos de refrigerante, etc. “Se for um copo cheio de refrigerante a situação complica, porque o local absorve rápido e gruda muito fácil”, adverte.

Júnior orienta as pessoas a não inventar. “Use água com sabão em pó dissolvido junto com um pano umedecido e trabalhe com paciência sobre o local. Mas se o produto deixar cheiro forte, precisa lavar tudo”, reforça.

Outra dificuldade é a retirada de pelos, fios e cabelos dos bancos. “Quem carrega animal no carro, por exemplo, tem que escovar com aquelas escovas de terno e passar sempre em um sentido, de forma repetida e demorada, até retirar tudo”, explica.

Ele também desaconselha o uso de produto à base de silicone para “embelezar” o painel, console e volante”. Júnior indica o uso de um gel próprio para o painel, que aromatiza e protege o plástico do ressecamento. “Esse gel é encontrado em qualquer loja e posto. Com o silicone, gruda muita poeira. Já o gel protege da exposição ao sol e do calor”, indica.

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Valor do prejuízo

O mercado de lavagem de carros oferece soluções rápidas e baratas para os casos de estofados encharcados. Contudo, se você pretende seguir os passos indicados para a correção completa da umidade, os valores ficam bem acima de uma lavagem tradicional.

O prejuízo para a recuperação dos bancos e carpetes de um carro que passou por uma área alagada, por exemplo, pode ficar em cerca de R$ 600,00. Isso inclui montagem, desmontagem e troca de revestimentos como as espumas dos bancos.

Se o problema for uma área encardida ou uma mancha, o preço do serviço varia de R$ 80,00 a R$ 100,00. Detalhe: tem prestadores de serviço que cobram bem menos. Porém, certifique-se de que a ação inclui montagem e desmontagem.