08 de julho de 2026
Bairros

Como resolver as inundações de Bauru?

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 5 min

Como solucionar o problema das enchentes e inundações em Bauru? Ano a ano, a época das chuvas é temida pelos moradores da cidade devido aos estragos que a falta de um sistema eficiente de drenagem provoca. São erosões, ruas esburacadas, pessoas carregadas pelas enxurradas, danos materiais nas casas e riscos de acidentes.

A solução para tudo isso - a macrodrenagem da cidade - é um dos assuntos que compõe o novo Plano Diretor de Bauru. Ele está sendo elaborado por uma comissão nomeada pela prefeitura em dezembro do ano passado e deve ficar pronto ainda neste semestre.

Além da drenagem, o Plano Diretor vai estabelecer diretrizes para habitação, áreas verdes, sistema viário, vazios urbanos, saneamento e pólos de desenvolvimento de Bauru, entre outros temas, sempre visando o crescimento orientado da cidade.

Durante a elaboração do Plano Diretor, o JC nos Bairros irá abordar cada um desses assuntos, oferecendo informações sobre o que está sendo planejado para o futuro de Bauru e que deve interferir diretamente no cotidiano da população.

Neste caderno, vamos falar sobre madrodrenagem. Diferentemente do que muitos pensam, para solucionar os problemas de inundações que já se arrastam há décadas em Bauru, não bastam bocas-de-lobo e galerias de águas pluviais.

Além de obras preventivas, são necessárias obras corretivas para reverter problemas de mau planejamento das últimas décadas.

Sendo assim, a proposta que deve compor o novo Plano Diretor é a construção de oito barragens em Bauru, um piscinão no Parque Vitória Régia e piscininhas de contenção de águas pluviais em todos os novos loteamentos da cidade.

De acordo com Maria Helena Rigitano, coordenadora da comissão do Plano Diretor, o documento tem como objetivo direcionar a ocupação dos diversos setores da cidade. Isso significa que os novos loteamentos não podem mais ter características dos bairros já existentes, com praticamente toda a área impermeabilizada.

“Se não tomarmos uma providência, nem as barragens que estamos projetando serão suficientes para atender toda a demanda em época de chuva”, adverte.

Juntamente com a Secretaria Municipal de Obras e com a Defesa Civil, a comissão detectou os pontos críticos da cidade, que sempre apresentam problemas em épocas de chuva.

Os principais locais detectados são: avenida Nações Unidas, avenida Comendador José da Silva Martha, rua Cuba, rua Mara Lúcia, avenida Alfredo Maia, avenida Daniel Pacífico, avenida São Sebastião e rua Waldemar Ferreira.

Maria Helena afirma que há outros locais que precisam de intervenção para melhoria do sistema de drenagem. Entretanto, para este plano de macrodrenagem foram eleitos pontos considerados prioritários porque contribuem para antigas inundações na cidade.

O resultado dos estudos nas regiões apontadas indicaram a necessidade de oito barragens, além do piscinão do Parque Vitória Régia. Elas estão localizadas, nos córregos Água da Ressaca, Água da Forquilha, Água do Sobrado, Água da Grama, Água do Castelo e Água Comprida.

Os dois últimos ainda não têm projetos realizados, apenas a idéia de se construir uma barragem no local.

Mãos à obra

Maria Helena explica que parte das obras de drenagem de que Bauru precisa já foram executadas. É o caso do pequeno trecho de canalização de córrego no início da avenida Nações Unidas Norte, entre as avenidas Nuno de Assis e Jânio Quadros. Ele evita que haja inundações na avenida Nuno de Assis.

Outro exemplo são as obras do Córrego do Barreirinho, na altura do Núcleo Mary Dota, que solucionaram problemas de erosão no Ferradura Mirim. A prefeitura também fez galerias na avenida Getúlio Vargas e refez o canal de travessia da avenida Comendador José da Silva Martha.

Ela explica que a implantação de galerias é apenas uma etapa do processo, que é preventiva. As barragens, tem como objetivo conter as águas excedentes e retê-las por um período nas cabeceiras dos córregos.

O sistema é automático. Como o orifício de saída de água é bastante inferior ao de chegada, a barragem é esvaziada automaticamente, à medida em que a água é escoada. Não há comportas e nem há necessidade de monitoramento.

Ainda não há cálculos de orçamento das obras de macrodrenagem previstas no Plano Diretor, mas Maria Helena afirma que o custo é alto. A estimativa é de R$ 2,5 milhões a R$ 3 milhões por barragem.

A boa notícia é que, se houver ocupação ordenada, as obras de barragem podem ser definitivas. “Se isso não for cumprido, novas barragens podem ser necessárias”, diz a coordenadora da comissão do Plano Diretor.

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Plano Diretor

A comissão do Plano Diretor foi nomeada por decreto pelo prefeito Nilson Costa (PTB) em dezembro de 2003 para trabalhar na elaboração desse instrumento normatizador do desenvolvimento da cidade.

O prazo para término do trabalho é de cinco meses. Além de seus próprios estudos, os técnicos utilizam dados já coletados pelo Projeto Bauru + 10, Conferência das Cidades, Conferência do Meio Ambiente, Conferência da Assistência Social, entre outras.

O objetivo é definir diretrizes para o crescimento planejado da cidade. O Plano Diretor em vigor hoje é de 1996, data do centenário de Bauru. O anterior e primeiro que vigorou foi elaborado em 1967.

Quando o projeto estiver concluído, ele será submetido à Câmara Municipal e, após aprovação, se transformará em lei municipal. Ele deve ser revisto após alguns anos, já que prevê ações a médio e longo prazos.

O documento não tem como função dar ordens aos futuros prefeitos. Mas, caso eles façam alguma obra, devem seguir os caminhos apontados no plano, já que será uma lei municipal.

Acredita-se que o cumprimento dos projetos propostos por parte do Executivo vai depender em grande parte da cobrança e fiscalização da comunidade.

As discussões temáticas sobre o Plano Diretor estão sendo realizadas às quintas-feiras, sempre às 19h30, na Câmara Municipal de Bauru.