08 de julho de 2026
Bairros

Para arquiteto, escolhas são erradas

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

O projeto de macrodrenagem de Bauru apresentado pela comissão do novo Plano Diretor não satisfez a todos. Na opinião do arquiteto José Xaides de Sampaio Alves, as prioridades eleitas pela administração municipal são equivocadas.

Em vez de iniciar o trabalho pelas obras direcionadas às regiões central e sul, ele acredita que deveria haver um direcionamento para as regiões norte, oeste e leste de Bauru.

Xaides enfatiza que, já que os recursos são públicos, eles devem ser direcionados para a maioria da população. “Nas regiões oeste, norte e leste, as ações são colocadas em segundo plano. Fica para sei lá quando. O que nos parece um grande equívoco”, reclama.

Ele sugere que, na zona sul, as obras de drenagem fossem realizadas com recursos da iniciativa privada. “O problema da Nações Unidas é importante, mas são necessários mecanismos para cobrar daqueles que criaram o problema - Vila Universitária, Jardim Panorama etc. A obra deveria ser financiada pela iniciativa privada”, diz.

Na opinião de Xaides, deveriam ser priorizadas as bacias dos córregos Água do Castelo, Água da Grama e Água Comprida. Ele cobra, ainda, atenção para as regiões do Núcleo Mary Dota, Jardim Ivone e Jardim Flórida, às margens do córrego do Barreirinho, e do Núcleo Bauru 25, Jardim Tangarás e Ferradura Mirim, na região do córrego da Vargem Limpa.

Outra preocupação de Xaides são as desapropriações. Ele afirma que não é necessário desapropriar as terras localizadas ao redor das futuras barragens para construção de parques. A alternativa seriam instrumentos oferecidos pelo Estatuto da Cidade.

“Desapropriação é lamentável. É possível definir áreas de tombamento, por exemplo. A partir de então, o proprietário não poderia construir nada no local, além de parque. Com as barragens, essas terras serão valorizadas”, expõe.

Outro instrumento apontado pelo arquiteto seria a transferência do direito de construir. Através dele, se incentiva os donos de terra a construir em outros locais.

“É preciso ampliar o debate sobre a importância da sociedade participar do plano para buscar equilíbrio. Se não, não vai ser plano diretor para todos. Vai ser somente para quem já tem poder”, critica Xaides.

A coordenadora da comissão que elabora o novo Plano Diretor, Maria Helena Rigitano, diz que a palavra desapropriação não é adequada para o que a administração municipal prevê.

“Não significa indenizar o proprietário. Eu posso negociar com ele de outra forma. Tem várias maneiras de negociar. Eu acho que a palavra correta não é desapropriar. A gente vai ter que conquistar essas áreas. Talvez através dos instrumentos do Estatuto da Cidade”, explica.

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Moradores

Nos bairros de Bauru, a aprovação dos projetos também não é unânime. Nem todos os moradores avaliam positivamente o plano de macrodrenagem sugerido pelo poder público.

Elias Janeiro, presidente da Associação de Moradores do Jardim Petrópolis, gostaria que as obras do córrego Água do Castelo fossem uma das prioridades. Ele diz que há muitas casas às margens do córrego que ficam inundadas em dias de chuva forte.

Outro local crítico, segundo Elias, é a passagem da Bela Vista para o Jardim Godoy. A precária ponte de madeira que interliga os bairros com freqüência fica cheia d’água, dificultando a passagem de carros e pedestres.

“Isso é prioridade para o Parque Vista Alegre, para o Jardim Godoy, Vila Santa Cecília, Vila Garcia, Jardim Progresso. Tem acessos que, quando chove, não anda nem cavalo”, afirma.

O presidente da associação mostra-se preocupado com o bairros que estão crescendo e recebendo novas construções, ou seja, áreas impermeabilizadas. “A água da Vila Garcia, Jardim Marília e Jardim TV, que estão se desenvolvendo, vai descer toda para o mesmo local”, alerta.

Já Vivaldo Pereira Martins, morador do Parque Santa Edwirges, cobra implantação de galerias no bairro. Ele conta que há trechos de ruas asfaltadas mas que não receberam obras de drenagem.

Apenas parte do bairro teria sido beneficiada com obras, em 1994. Desde então, os moradores cobram da administração municipal a implantação nas demais áreas do Santa Edwirges.

“Tem diversas e diversas casas aqui que ainda são alagadas. Já são nove anos em que não recebemos nenhuma boca-de-lobo a mais. E constantemente as chuvas alagam as casas”, conta. Ele afirma que a situação também é precária no Parque Roosevelt e no Jardim Andorfato.