A taxa de reincidência no sistema prisional no Estado de São Paulo chega aos 45%. No Brasil, o índice é ainda mais alarmante, atinge os 82%, de acordo com o Departamento Penitenciário Nacional. Voltar a delinqüir é uma das facetas da falta de oportunidade que o preso enfrenta dentro das prisões e no seu regresso à sociedade.
Muitas organizações não governamentais desenvolvem trabalhos pelo País afora tentando resgatar os excluídos para a sociedade. Algumas conseguiram êxito. Exemplo disso é o Instituto da Terra, um projeto desenvolvido no presídio masculino de Florianópolis que conseguiu reduzir o índice de reincidência para menos de 10%.
A entidade atua com o objetivo de diminuir a reincidência criminal, através da educação e do trabalho para a reintegração dos detentos ao convívio social.
Na região de Bauru, na cidade de Ibitinga (100 quilômetros a Nordeste de Bauru), duas voluntárias alfabetizam os presos da cadeia pública. Em Cabrália Paulista (45 quilômetros a Oeste de Bauru), um grupo de voluntários espíritas atua há 14 anos na recuperação moral e no ensino de trabalhos manuais.
A mudança no comportamento da população em relação aos presos é fruto de uma transformação pela qual passa toda a sociedade, enfatiza a socióloga Tereza Kerbauy. “Eu acho que há uma mudança na sociedade como um todo. O brasileiro está mais solidário, mais empreendedor no sentido de ajudar, colaborar com os setores excluídos. O setor prisional é uma referência neste sentido porque era muito mal visto pela comunidade.”
Ela lembra que há grupos de voluntários atuando na área de saúde, educação, cuidando de idosos e também dos presos. “Há uma possibilidade de incluir os setores excluídos. A sociedade acordou para isso. O brasileiro está deixando de tratar o preso como um ser inferior, o lixo da sociedade. Está tomando consciência de seu papel e sendo mais solidário.”