08 de julho de 2026
Regional

Depoimentos revelam vontade de mudar de vida


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'Se tivesse estudado não estava na cadeia'

O preso Antônio Donizete de Souza, 41 anos, confessa que em oito meses de cadeia conseguiu aperfeiçoar sua letra e aprendeu a ler correntemente. “Eu escrevia muito pouco e lia mal. Freqüentei a escola por um ano quando eu era criança.”

Nos oito meses de cadeia, ele melhorou a letra e o relacionamento com a família. “Como eu não sabia escrever e pedia para um colega fazer a carta, não me expressava bem. A partir do momento que passei a escrever e ler sozinho, consegui me aproximar mais dos meus familiares.”

Ele admite que além de ser alfabetizado adquiriu conhecimentos extras. “Eu passei a pensar diferente. Meu vocabulário aumentou e aprendi a me expressar por escrito.”

Ele acredita que se tivesse estudado quando criança, sua história teria sido outra. “Na escola teria aprendido outras coisas e me relacionado com outras pessoas. Talvez minha história fosse outra e eu não estivesse aqui preso.”

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'Vou continuar estudando'

No dia 6 de setembro de 2003, Aguino Rodrigues Queiroz, 22 anos, foi preso e passou a viver na cadeia pública de Ibitinga. Ele cursou até a 3.ª série primária quando era criança, nunca mais pegou um caderno ou livro para estudar. “Não me interessava em estudar. Depois que comecei a freqüentar as aulas, senti a necessidade de continuar estudando. Vou continuar os estudos quando sair da cadeia,” promete.

Para ele, dedicar-se aos estudos significa mudança de vida. “Tenho aprendido muito. Muito além do ler e escrever. O respeito com as professoras, com os religiosos que nos visitam, enfim, muita coisa que não tinha consciência.”

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'Sonho alto'

O preso José Raul Gimenez, 32 anos, sonha mais alto que seus colegas de classe. Ele quer continuar estudando para concluir o curso superior. “Quando criança tive oportunidade, meus pais insistiam para eu estudar, mas eu não quis. Cheguei até a 5.ª série, sem concluí-la.”

Na escola da cadeia, ele pôde rever matérias. “Quero fazer o supletivo. No ano passado já tentei, porém não consegui.”

Depois do supletivo, Gimenez quer fazer faculdade de agronomia. “Tenho esse objetivo. Meus pais sempre trabalharam na roça e eu gosto da terra. Acordei para isso depois que vim para a cadeia.”