Amor e Alegria. O nome com o qual o grupo espírita foi batizado já diz o que os quatro voluntários vão fazer na Cadeia Pública de Cabrália Paulista (45 quilômetros a Oeste de Bauru), há 14 anos. O objetivo inicial foi acrescido de um trabalho manual com o qual as presas conseguem redução da pena e algum recurso para comprar os produtos de higiene pessoal.
O coordenador do grupo, Walter Comini, relembra com alegria o primeiro contato com as presas. “Chegamos na cadeia para doutrinar. Ensinar para aquelas mulheres um pouco do Evangelho, respaldados pelas passagens bíblicas em que Jesus diz para não abandonarmos os doentes, os encarcerados. Fomos recebidos pela líder (ele não revelou o nome).”
A presa teria dito de imediato ao espírita que outros religiosos visitavam a cadeia e que todos nem olhavam para elas. “Ela falou que todos chegavam e, de cabeça baixa, oravam. Se fosse para nós fazermos o mesmo, não precisava nem começar o trabalho.”
O coordenador do grupo encarou o diálogo como um desafio e investiu. “Procurei o diretor da cadeia e assinei um termo de responsabilidade para entrar no pátio e ficar com as presas. A partir daí, ganhamos a confiança delas.”
A confiança é tão grande entre os espíritas e as presas que, por duas vezes, Comini foi chamado para negociar com elas durante rebeliões. “Eu converso com elas. Em uma das rebeliões, quando eu pedi, elas soltaram a refém.”
O relacionamento entre o grupo e as mulheres presas de Cabrália Paulista é cada dia mais afinado. “Para que elas conseguissem remissão de pena e dinheiro para pequenas compras, implantamos o curso de crochê, no qual elas fazem tapetes de barbantes.”
Terapia do crochê
A terapia do crochê foi uma idéia do grupo formado por um homem e três mulheres. “Uma das voluntárias sabe fazer crochê e resolveu ensiná-las”, comenta o coordenador do grupo, Walter Comini.
As presas tomaram gosto pelo artesanato que tempos atrás rendia mais do que hoje. “Fizemos um acordo com o fabricante de barbante. Ele fornecia a matéria-prima e pagava pela confecção dos tapetes. Depois, ele vendia a mercadoria. Elas chegaram a usar 300 quilos de barbante por mês.”
Porém, a demanda caiu e o fabricante parou de comprar a mercadoria. “Hoje, elas fabricam, além do tapete, outras mercadorias. Seus familiares vendem e pagam o material.”
O grupo fornece as revistas e as amostras de que está sendo produzido. “Nós atualizamos os modelos e ensinamos novos pontos para elas.”