09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Renda média do aposentado é de R$ 450

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 4 min

Trabalhar duro a vida inteira esperando ter descanso depois de aposentado é o sonho da maioria dos brasileiros. No entanto, garantir um salário digno de aposentadoria é a realidade de poucos. Em Bauru, a média de remuneração dos aposentados é de R$ 450,00.

O cálculo é da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Bauru e Região. O presidente da entidade, Mário da Paz Pereira, afirma que as pessoas “se viram” como podem para conseguir se sustentar com essa quantia. “Tem um velho ditado que diz que pobre vive de teimoso. E é verdade. Tem que fazer milagre com esse salário”, destaca.

De acordo com ele, essa média é baixa por causa da quantidade de pessoas que ganham apenas um salário mínimo (R$ 240,00). “É muito grande a quantidade de aposentados que recebem apenas essa quantia”, diz.

Pereira lembra que, além de ter uma defasagem na renda ao se aposentar, o trabalhador ainda enfrenta, ao longo dos anos, quedas contínuas na sua remuneração. “Se antes o salário da pessoa era reajustado de acordo com o dissídio da categoria, ao se aposentar ela fica sujeita às determinações do governo”, explica.

E o benefício também não acompanha a evolução do salário mínimo, a não ser que a pessoa receba apenas a remuneração mais baixa permitida no País. Do contrário, enquanto o reajuste do mínimo é de 15%, o do salário referência dos aposentados fica em torno de 10%; se o aumento for de 8%, a categoria leva apenas 5%, de acordo com exemplos citados pelo presidente da associação.

Queda livre

O tipógrafo e representante comercial José Garcia, 72 anos, é um exemplo de quem perdeu uma boa parte da renda depois da aposentadoria. Ele conta que quando se aposentou, há 25 anos, começou recebendo uma média de oito salários mínimos. Hoje, o seu benefício equivale apenas a três. “Cada ano que passa, vai defasando mais”, lamenta.

Ele diz que chegou a entrar com um recurso junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pedindo a revisão de sua aposentadoria, mas não obteve sucesso. “É muito difícil sobreviver com esse ganho”, reclama.

Do total que recebe, mais de 50% é destinado para o pagamento de medicamentos na farmácia. “Depois que a gente envelhece, os gastos com remédios aumentam muito”, diz.

Mesmo com todos os problemas, Garcia se considera privilegiado. Ele salienta que conseguiu, ao longo da sua vida de trabalhador, garantir a casa própria e dar estudo para os filhos. Hoje, o seu dinheiro é destinado apenas para alimentação e medicamentos. “Se tivesse que pagar aluguel, não teria como viver”, destaca.

Já a auxiliar de enfermagem Gilda Tereza Britto conta com a ajuda da filha para sobreviver. Ela diz que o seu salário defasou 50% depois da aposentadoria. “Minha filha paga as prestações da casa que eu moro”, conta.

Ela diz que fica muito chateada com essa situação. “Depois de se aposentar, a gente devia era aproveitar a vida, viajar, descansar, e não ficar preocupada com as contas para pagar e com o salário baixo”, desabafa.

João Rodrigues, 84 anos, destaca que é muito complicado para um aposentado saber que ganha pouco e não poder fazer nada para mudar a situação. “No meu caso, por exemplo, eu não tenho mais condições para trabalhar devido aos problemas de saúde e à idade avançada.”

Aposentado por invalidez, ele recebe um salário mínimo e meio. Com esse dinheiro, algumas vezes ainda ajuda a neta comprando um livro para a escola, um caderno ou algo que ela necessita.

Bicos

As pessoas que ainda têm saúde para a lida diária, buscam alternativas para aumentar a renda familiar. Mas só disposição não é suficiente nessa luta pelo mercado de trabalho.

Gilda Tereza Britto diz que encontra dificuldade para arrumar emprego. Com 59 anos, não consegue mais um trabalho fixo, principalmente na sua área de atuação (enfermagem).

Dessa maneira, ela sempre está em busca de algo que a ajude a tirar um dinheiro extra. “Atualmente, estou vendendo cartões de visita. Não ganho muito, mas o pouco que consigo ajuda nas contas da casa”, salienta.

Já Manoel Gonçalves Soriano, 69 anos, aposentado há 13 anos, completa o seu salário fazendo bico toda sexta-feira, no baile da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Bauru e Região. “Eu tomo conta do salão para manter a ordem e ganho um extra”, diz.