O número de atendimentos médico-hospitalares que o Instituto Nacional de Serviço Social tem, no momento, para realizar em todo o país, ultrapassa filosoficamente a casa dos 500 mil, conforme se tem notícia através da mídia, que o patenteia focalizando as filas quilométricas de clientes tomando totalmente as dimensões das telinhas. O volume, que já era extraordinário, cresceu bastante ultimamente em função da recente greve geral levada a efeito pelos médicos e demais servidores da autarquia. E aí está ele se mostrando com caretas de pôr medo na população nacional, por si já amedrontada com outros tantos problemas sociais enraizados em quase todas as áreas administrativas da nação.
Não vai ser suave para o Instituto enfrentar e superar tão estonteante barreira, uma vez que seu pessoal, lotado em hospitais, ambulatórios, agências e demais setores de sua especialização dificilmente logrará, em poucos anos, circunscrever o drama a proporções aceitáveis, o que é incontestável, porquanto por mais cabeças pensantes e mãos hábeis que o órgão tenha a seu serviço lhe faltarão sempre condições para acudir imediatamente à enorme legião de necessitados de assistência, seja proporcionando-lhe consultas clínicas e intervenções cirúrgicas, fornecendo-lhe medicamentos e mantendo-o graciosamente em nosocômios. Tem-se que ao invés de se reduzir é bem provável que o volume até cresça mais um pouco, tornando maiores as “bichas” já existentes em frente de hospitais, ambulatórios e agências previdenciárias.
Como se poderia contribuir de alguma forma para que a tradicional autarquia não veja dimensionar-se mais a problemática, a não ser socorrendo seu enorme elenco com melhorias salariais condizentes e, ao mesmo tempo, enriquecendo seus quadros com mais profissionais especializados? Trata-se de um enrosco do qual, parece, não tem o INSS possibilidades de escapar inopinadamente dentro de suas potencialidades de único sistema oficial credenciado para o atendimento dos 500 mil aspirantes, que durante longos anos contribuiram para seus cofres e, agora, têm direito expresso de se colocar na expectativa de imediato e eficiente retorno, recebendo os cuidados médico-cirúrgicos que sua saúde exige sem moderação e sem demora, porque morrer nas filas é mais triste que fazê-lo em casa. É a nossa opinião.
O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.
“O céu manifesta a glória de Deus e o firmamento proclama a obra de suas mãos. Salmo 19.2”.